quarta-feira, 24 de agosto de 2016

1 milhão de amigos

Imagem: www.rioeduca.net

Descobri-me popular, logo eu. Mas isso é coisa recente. Dirigia-me ao trabalho no horário de sempre, itinerário de sempre, pessoas de sem... não, não desta vez. Ao cruzar esquina encontrei um dito que ao me ver levantou a mão, desesperado como um náufrago ao ver um navio. Inicialmente pensei que fosse com qualquer outro transeunte, mas era comigo que o amigo se comunicava. Lembrou da infância, dos tempos de escola, dos familiares... era quase uma agenda viva. Se quisesse, ele poderia escrever minha biografia ali, no meio da rua. Cara – pensei, como pude esquecer deste amigo tão importante por tanto tempo assim? Por conta do tempo diminuto, me despedi e ele prometeu uma visita em minha casa. Cara legal aquele. Gente fina.

Mais à frente outro amigo me aparece com iguais recordações. Puxa vida, fiquei importante. Sou importante. Tanta gente lembrando de fatos pitorescos da trajetória de vida e eu sequer sabia seus nomes. Sempre esqueço disso a cada dois anos.

Eis que, saindo de um comércio nas proximidades, alguém passa a gritar, me chamar pelo nome. Outro amigo, pensei. Mas esse não era tão amigo assim, não fizera parte de minha infância, mas me conhecia mais que o google. Contou histórias engraçadas e também se propôs a me visitar “qualquer hora dessas”. E assim foi até que cheguei ao meu destino.

E desde então sempre que saio à rua me deparo com amigos. Tantos que não lembro de ter estudado com tanta gente; de ter jogado peteca, triangulo ou brincado de esconde-esconde com tanta gente assim. Preciso de remédio pra memória.

Em tempo: há mais ou menos dois anos não tenho mais facebook. Cansei daquilo. Sem contar os poucos amigos. Mas tenho certeza de que se reativar minha conta hoje, terei um milhão de novos “amigos de infância”.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A política da miséria

Imagem: Arquivo do Blog.

É aquela que se satisfaz em dar aos poucos o que almeja a plebe, sempre ávida em elevar a moral da chefia sem nada contestar. Dar milho aos pombos. A ideia é que se “todas” as benesses forem concedidas rapidamente, a população esquece rápido e então... tchau projeto de poder.

“Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, é fazê-lo de uma vez só.” Ensinava Maquiavel.

Os inebriados pelo poder se enchem de orgulho alheio para alardear aos quatro cantos da cidade os feitios de quem melhor lhes convém. Malandramente ocultam o inegável fato de que, quando se ocupa cargo eletivo de qualquer natureza se deve cumprir obrigações, não fazendo favor algum se porventura cumprir qualquer delas. E coitados daqueles que se resignam em assimilar tudo o que leem nas redes sociais.


Fato interessante é que a História é cíclica: sempre avança e retorna ao mesmo ponto, fatos de hoje já aconteceram no passado, repetidamente, em períodos esparsos. Geralmente “a grande obra” ou o conjunto delas ocorre em períodos de grande concentração de pessoas, para dar maior visibilidade aos feitos, cantados em versa e prosa pelo séquito de puxa-sacos servis plantonistas. Levada desta forma, a vida citadina se torna vagarosa e cheias de ápices e declives ao sabor das boas vontades e anseios de uma minoria que sempre dá um jeito de colher os frutos das “boas ações”, perpetuando-se no poder ou almejando isso apenas.