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Imagem: palmaresespirita.blogspot.com |
Hoje
mais um acontecimento que deveria ser corriqueiro em Esperantina se
tornou um espetáculo, tal qual não se vê
normalmente no período entre eleições, tudo por conta
da realização de uma blitz que iniciou logo pela manhã
e se estendeu até o meio-dia, deixando em polvorosa a cidade,
mais especificamente os condutores de veículos que não possuem
carteira de habilitação e a documentação
do veiculo.
Apesar
de que esta não foi a primeira vez que isso ocorre por aqui
o estardalhaço foi enorme. Pelos celulares pessoas avisavam
aos incautos sobre a operação, desocupados ficavam nas
esquinas somente para avisar que
uzomi
realizavam blitz; a – cof, cof – imprensa local também
brilhou ao dar voz aos lamentos e lamúrias dos populares que,
coitadinhos, sem recursos para regularizar seus bólidos eram
retidos na blitz como peixes nas redes.
Pessoas
das mais variadas ocupações tiveram apreendidas suas
conduções, por também variados motivos. No local
de uma das blitzen, próximo à Câmara Municipal
era grande o alvoroço,
onde
pessoas de diversos matizes ideológicos vociferavam tolices do
tipo: vocês
não queriam era isso? Votaram agora tem que aguentar 4 anos!;
outros diziam: isso
é perseguição. O pobre mal tem condição
de comprar uma moto e o governo manda tomar; deveriam era perseguir
os ladrões de motos, assaltantes e assemelhados, como se tal
não fosse uma das funções da blitz
e muitos outros impropérios do gênero.
Como
não poderia deixar de ser, os portais e redes sociais serviram
de tribuna do povo. Uns incitavam atos de rebeldia, outros
aproveitavam a situação para “queimar” quem eles
acreditavam que possivelmente seria responsável pela blitz e
pelo solo lunar que chamamos
ruas
da cidade. Turma de esquerda para cá, de direita para lá,
mas o que sobrava mesmo era a da retaguarda, do retrocesso. Qual fênix renascida das cinzas, novamente nasce a mofada ideia das
blitz educativas, da sinalização primeiro e blitz
depois, da anistia das dívidas, anistia esta que já foi
ofertada em anos anteriores onde menos da metade dos proprietários
de veículos aproveitaram para regularizá-los. E por falar em
regularização deve-se lembrar de que na maioria dos
dias do ano muitos destes pobres coitados hoje entristecidos, rotulam
de “abestados” aqueles cidadãos que trabalham e se
esforçam para manter seus veículos devidamente em dia
com suas altas taxas. Sim, pagam-se altas e aviltantes taxas, mas se
pode sair à luz do dia e pelas principais ruas sem maiores
temores, como ter que voltar a pé para casa porque não
pode passar por uma simples blitz de trânsito.
Neste
momento os cidadãos de irmanam nos protestos, assim como o
fazem quando algum deles sem destreza e/ou habilitação
falece pelas ruas da cidade, ocasião certa para o defectível
“luto eterno” nas redes sociais que dura até o próximo
acidente fatal, sem que nada mude.
Revoltam-se
contra atos e medidas que não são apenas para punir,
mas para dar ares de civilidade ao trânsito caótico e
assassino de nossa cidade. Tal revolta encenada lembra – pela
futilidade em si – a revolta da vacina do início do período
republicano no Brasil, originada a partir de uma lei que tornava
obrigatória a vacinação da população
e que foi demonizada pela maioria. O que era uma simples medida de
proteção à saúde tornou-se motivo de revolta.
Resguardadas as devidas proporções e finalidades, resta
alguma semelhança?
Não
lembro de ouvir alguém argumentar que as blitzen servem para,
entre outras coisas, verificar a origem dos veículos vistoriados, se
produto de furto ou outro delito qualquer. Não. O importante era gritar para as quatro direções que a perseguição
estava de volta à cidade. O ranço das últimas
eleições voltou com força total, como se tudo
não passasse de mera questão de escolha política,
que este ou aquele seria melhor para governar.
E
no final, qual a moral da história? Todos unidos e com apoio
para não seguir leis nacionais de trânsito. Todos unidos
contra a perseguição aos pobres condutores de
motocicletas que não tem condições para quitar
suas dívidas junto ao órgão fiscalizador e arrecadador.
Pobres diabos! Ainda voltaremos às cavernas.
E
tenho dito!