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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Tempos modernos

Ah, retiro de verdes ramagens... da poesia do hino só temos a lembrança. Nos dias atuais o que havia de graça na cidade foi abiscoitado pela pressa do progresso em tudo modificar.
Imagem: Progresso. De www.recreio.com.br

O centro da cidade a cada dia fica mais descaracterizado, modificado, para atender às demandas da modernidade, embora da maneira mais tosca possível e com o olhar complacente de que deveria zelar pelo bom andamento do modus vivendi.

Algum tempo atrás se falou em acessibilidade urbana como forma de melhorar o trânsito de pessoas  com deficiências ou mobilidade restrita, mas o que vemos pelas ruas é o descaso absoluto. São ruas enlameadas, com pouco ou nenhum asfalto, cheias de deformidades que dificultam a vida de quem não possui pickups; calçadas construídas das mais diversas formas e padrões  a bel prazer, muitas vezes ocupadas por mercadorias que antes se restringiam ao interior das lojas. E ninguém se incomoda com isso. É melhor desviar das mercadorias ou procurar outra rua, olhar para o outro lado.

As ruelas, projetadas para se andar a cavalo em fila indiana já não suporta o trânsito maluco de cada dia, quando se percebe pelas ruas mais movimentadas a existência de fila dupla, veículos estacionados de forma a melhor atrapalhar a vida de outros transeuntes. A grande saída poderia ser a municipalização do trânsito, mas esta tropeça em indisposições e má vontade, pois o que mais explicaria o retardo na execução de tal projeto?


... E crescendo, assim, tu promoves, A grandeza do imenso BrasilNos passa o hino municipal.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Fujam que o progresso vem ai!


Aguardado desde sempre, o asfalto da PI que liga Esperantina a São João do Arraial finalmente foi iniciado e possivelmente, até 2014 chegará ao fim.

A importante obra beneficiará enormemente o tráfego de pessoas e mercadorias nesta parte norte do estado, quando concluída. Após anos de promessas pré-eleitorais a obra foi iniciada e, embora a previsão inicial fosse de estar pronta em 120 dias, ainda há muito o que fazer para finalizá-la.

Curioso é que após tantos estudos, bajulações e levantamentos, ainda possam ser constatadas barbeiragens na extensão da obra, como fica patente nas fotos abaixo.
Imagem I: leito 'desimpedido', onde a água deverá correr livremente,
segundo demorado levantamento de impactos ambientais.
Imagem II: outro lado, por onde a água deveria vir. Deveria, do
verbo Quem sabe um dia.

Imagem III: Mais um local onde a água deve fazer salto com 
vara para passar.

Imagem IV: Lado oposto da foto anterior.

Imagem V: Mais um sucesso da engenharia, onde o pontilhão de 

madeira (direita)  não erá mais água  corrente, vitimado pelo 
bloqueio do leito d'água.

Alguma sumidade resolveu tapar as laterais dos pontilhões para que os mesmos fossem refeitos ou consertados. Até ai tudo beless. Terminado o serviço nos pontilhões – pelos menos no pequeno trecho próximo a Esperantina – o luminar achou por bem retirar os volumes de terra que impediam o curso d'água, mas somente nas proximidades, esquecendo que a água necessita de livre espaço para correr. Como estamos em pleno período de seca, tudo bem. O problema será quando começar a chover – sim, isso ainda acontecerá. Como a água correrá em seus leitos originais, se estes estão bloqueados?

Como sempre, não vi/li sobre manifestações a respeito do caso. Nas redes sociais não foram criadas correntes de indignados com tal fato, embora por lá o bom-mocismo com causas de lugares distantes esteja na ordem do dia. Nenhum pio da – cof, cof – imprensa local, nas suas diversas modalidades.

Sempre que o progresso dá as caras por aqui a natureza é penalizada. Seja na construção de casas, na reforma de lojas, na exploração mobiliária ou em qualquer outro projeto de urbanização local. O blá-blá-blá de sempre se resume em reuniões, encontros e fóruns sem resultados aparentes, onde os bravos defensores da boa vida sob os leques dos carnaubais se reúnem para salvar o mundo.

É o progresso. corram!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Bastava explicar



Nada como um bom diálogo para esclarecer as dúvidas. Durante a convocação metamorfoseada em audiência pública realizada dia 19 deste, diante de ímpios algozes e animada claque foram explicadas as principais dúvidas que encalacravam o desenvolvimento do município.

Como a cantiga agora é outra, passei a entender. As pessoas que foram agraciadas com imóveis dos conjuntos habitacionais em Esperantina devem abandonar o antigo, localizado em área de risco. Ato incontinenti, a municipalidade deve providenciar a destruição dele (do imóvel, claro), para evitar que seja novamente ocupado. Aahhh. Ninguém havia explicado isso.

Bingo! Agora entendo porque demoliram a quadra Noeme Lages, a dita estava em área de risco.
Imagem: Arquivo
Só falta alguém explicar agora porque à época li aqui que em futuro bem próximo seria erguido no local da quadra um anfiteatro. Nada mais justo. Um coliseu e um anfiteatro. Pão e circo. Et tu, Brute?
Agora o caminho está livre para a marcha rumo ao progresso. É pau, é pedra...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Quem espera... fica cansado e desiste.


Imagem: www.blog.opovo.com.br


O município de Esperantina está às voltas com várias especulações sobre quem será o prefeito de mandato tampão, mesmo que ainda não haja nada definido sobre este quadro administrativo, se haverá reversão ou continuação. Parte da população usa o slogan do Tiririca para justificar a preferência por outro gestor enquanto outra parte tende a esperar pelas eleições do próximo ano para a escolha do salvador.


As inúmeras especulações sobre o tema me fizeram recordar a euforia que a mesma população demonstrou logo após as eleições de 2008, em relação aos legisladores eleitos. Da boca de muitos o que mais se ouvia era que o município tomaria novos rumos nos próximos 4 anos, em parte devido à renovação do quadro de nobres edis, pela atuação que alguns destes possuem em áreas de grande interesse e alcance social, outros pelo conhecimento que supostamente possuem dos problemas e da capacidade em oferecer resolubilidade aos mesmos.

Hoje, já no terceiro ano do mandato, ainda não vimos a guinada, o grande salto para o progresso que se esperava. Na realidade a intensa troca de funções, o despreparo, a ambição desmedida e os acordos não republicanos – digamos assim - simplesmente não permitem a estabilidade necessária à execução dos trabalhos e o cumprimento de metas anunciadas de antemão durante a campanha passada.

Vive-se cíclica e eternamente à espera de dias melhores. A cada decepção uma nova esperança surge bem distante e nos apegamos a ela, até que por sua vez esta se revele tão vã quanto as outras.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

... esperando. Como sempre.



Setembro de 2010. O mundo já saiu da crise financeira conhecida como marolinha e Esperantina ainda sobrevive do funcionalismo público e de repasses governamentais. Todos já esqueceram do fiasco da copa do mundo e já pensam na copa de 2014, no entanto Esperantina ainda não tem seu estádio de futebol para que os peladeiros barrigudos joguem a troco de álcool. O resto do mundo adota medidas para melhorar a vida dos cidadãos e Esperantina ainda permanece à espera de um extraterrestre que organize o caótico trânsito (!) local., etc, etc, etc.

Vivemos à margem do progresso, ou melhor, até que experimentamos ares do progresso, mas às avessas, vide drogas antes confinadas nos grandes centros, crimes cada vez mais assombrosos, tentativas de copiar o modo de vida fútil que vemos na TV, entre tantas outras parvoíces.

E eu que até me vi andando pelas escadas rolantes do mercado público municipal e finalizando o dia num happy hour na rua climatizada! Auto-flagelo. Nem mesmo posso andar na cidade asfalto sem assalto nas escuras ruas. Ah! Tempo perdido ouvindo juras de progresso.

Tal qual Luther King – versão cocais – sonhei com o dia em que a justiça correria como caudaloso rio, mas o máximo que vi de caudaloso é escandaloso: a água das chuvas teimosamente na avenida e que, em inverno poderoso promete tornar Esperantina realmente uma atração turística, pois a teremos inundada como a lendária Atlântida!

Para muitos as esperanças renovam-se agora. De novo. Esperança que renasce das cinzas a guisa de mitológica fênix. A luz do fim do túnel se aproxima rapidamente, mas creio que seja o trem.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

De olhos vidrados no progresso

A cada dia que passa o progresso de Esperantina acrescenta algo de assustador. Tem sido assim nas últimas décadas.

No momento, é o canteiro e o asfalto da avenida, passando ainda pela magistral passarela para uso dos deficientes físicos. O que dizer então das garrafas pet em formato de boneco de neve, que tão bem representa o inverno tropical, levando às lágrimas os olhos piedosos no natal?

A bola da vez é a praça da biblioteca, que já não é lá uma Brastemp, transformada em mural de propaganda de festa. Não que aquela diminuta faixa esconda algo digno de um cartão postal, mas é que o arcaico código de posturas municipal em seu art. 135, V, proíbe a fixação de quaisquer meios de publicidade em praças e afins. Culpar o responsável pela colocação da faixa na praça? Não. Ninguém pode ser considerado culpado por fazer algo que não sabe ser proibido.

Temos leis demais, algumas boas até. Mas de que adianta fazê-las, publicá-las e depois guardar numa gaveta? O código de posturas municipal parece uma relíquia ou então deve ser considerado subversivo, pois é mantido sob chaves. Uns poucos têm conhecimento sobre a existência do mesmo.

Muita coisa poderia ser posta em prática seguindo os ditames lá estabelecidos. Mas é uma luta indigna tentar convencer alguém a isso. Algumas medidas soariam impopulares e daí para perder uns votinhos é só um pulo.

A gaveta ainda é muito útil.