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domingo, 10 de setembro de 2017

E ele está de volta, o Luto Eterno.

Imagem: Arquivo do Blog.

Vez por outra ele some e sem o menor constrangimento retorna às redes sociais de Cocal City. E quem seria esta celebridade? O Luto Eterno!

Hoje, mais pessoas perderam a vida no caótico trânsito local, desgraçado pela ausência de fiscalização efetiva e pior ainda pela total falta de educação no trânsito. Motociclistas aqui só precisam de acelerador e escapamento ruidoso, a licença para atropelar é adquirida no momento da compra da moto. Condutores de veículos também não estão isentos, pois tomam como suas as vias públicas, parando onde bem entendem, dane-se quem quiser passar.

Ele, o trânsito, que seria municipalizado, faz vítimas com voracidade impressionante, sempre acompanhadas do indefectível “luto eterno” nas redes sociais. E pronto. Tal qual as pessoas que digitam amém sempre que postam foto de pessoas doentes naquela rede social, aqui tão logo se confirmem óbitos, ato incontinenti surgem as mensagens de luto, eterno até a próxima tragédia, como se isso resolvesse a inatividade das autoridades do trânsito municipal. Até o momento, de municipal só o portentoso cargo com sombra e água fresca.

Se reclama de quase tudo: da água que falta; da banda inexpressível nos festejos e ainda assim com ingressos de superstar; da iluminação laranja-amarelada e por aí vai. Quanto ao trânsito, pouco a ressaltar. Aqui e ali uma palavra ao vento e por aqui acaba.

Os revoltosos do sofá, bajuladores e assemelhados se mantem em silêncio cavernoso, ao melhor estilo do “não mexendo comigo, tudo bem”, esperando até o dia em que passem à oposição para finalmente emitir seus gritos de cidadania.

E assim segue a vida. E tenho dito!

sábado, 13 de abril de 2013

Um questionamento e não um Decreto

Imagem: palmaresespirita.blogspot.com


Hoje mais um acontecimento que deveria ser corriqueiro em Esperantina se tornou um espetáculo, tal qual não se vê normalmente no período entre eleições, tudo por conta da realização de uma blitz que iniciou logo pela manhã e se estendeu até o meio-dia, deixando em polvorosa a cidade, mais especificamente os condutores de veículos que não possuem carteira de habilitação e a documentação do veiculo.

Apesar de que esta não foi a primeira vez que isso ocorre por aqui  o estardalhaço foi enorme. Pelos celulares pessoas avisavam aos incautos sobre a operação, desocupados ficavam nas esquinas somente para avisar que uzomi realizavam blitz; a – cof, cof – imprensa local também brilhou ao dar voz aos lamentos e lamúrias dos populares que, coitadinhos, sem recursos para regularizar seus bólidos eram retidos na blitz como peixes nas redes.

Pessoas das mais variadas ocupações tiveram apreendidas suas conduções, por também variados motivos. No local de uma das blitzen, próximo à Câmara Municipal era grande o alvoroço, onde pessoas de diversos matizes ideológicos vociferavam tolices do tipo: vocês não queriam era isso? Votaram agora tem que aguentar 4 anos!; outros diziam: isso é perseguição. O pobre mal tem condição de comprar uma moto e o governo manda tomar; deveriam era perseguir os ladrões de motos, assaltantes e assemelhados, como se tal não fosse uma das funções da blitz e muitos outros impropérios do gênero.

Como não poderia deixar de ser, os portais e redes sociais serviram de tribuna do povo. Uns incitavam atos de rebeldia, outros aproveitavam a situação para “queimar” quem eles acreditavam que possivelmente seria responsável pela blitz e pelo solo lunar que chamamos ruas da cidade. Turma de esquerda para cá, de direita para lá, mas o que sobrava mesmo era a da retaguarda, do retrocesso. Qual fênix renascida das cinzas, novamente nasce a mofada ideia das blitz educativas, da sinalização primeiro e blitz depois, da anistia das dívidas, anistia esta que já foi ofertada em anos anteriores onde menos da metade dos proprietários de veículos aproveitaram para regularizá-los. E por falar em regularização deve-se lembrar de que na maioria dos dias do ano muitos destes pobres coitados hoje entristecidos, rotulam de “abestados” aqueles cidadãos que trabalham e se esforçam para manter seus veículos devidamente em dia com suas altas taxas. Sim, pagam-se altas e aviltantes taxas, mas se pode sair à luz do dia e pelas principais ruas sem maiores temores, como ter que voltar a pé para casa porque não pode passar por uma simples blitz de trânsito.

Neste momento os cidadãos de irmanam nos protestos, assim como o fazem quando algum deles sem destreza e/ou habilitação falece pelas ruas da cidade, ocasião certa para o defectível “luto eterno” nas redes sociais que dura até o próximo acidente fatal, sem que nada mude.

Revoltam-se contra atos e medidas que não são apenas para punir, mas para dar ares de civilidade ao trânsito caótico e assassino de nossa cidade. Tal revolta encenada lembra – pela futilidade em si – a revolta da vacina do início do período republicano no Brasil, originada a partir de uma lei que tornava obrigatória a vacinação da população e que foi demonizada pela maioria. O que era uma simples medida de proteção à saúde tornou-se motivo de revolta. Resguardadas as devidas proporções e finalidades, resta alguma semelhança?

Não lembro de ouvir alguém argumentar que as blitzen servem para, entre outras coisas, verificar a origem dos veículos vistoriados, se produto de furto ou outro delito qualquer. Não. O importante era gritar para as quatro direções que a perseguição estava de volta à cidade. O ranço das últimas eleições voltou com força total, como se tudo não passasse de mera questão de escolha política, que este ou aquele seria melhor para governar.

E no final, qual a moral da história? Todos unidos e com apoio para não seguir leis nacionais de trânsito. Todos unidos contra a perseguição aos pobres condutores de motocicletas que não tem condições para quitar suas dívidas junto ao órgão fiscalizador e arrecadador. Pobres diabos! Ainda voltaremos às cavernas.

E tenho dito!