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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Requiescant in pace

Imagem: Arquivo do Blog.

E então o prédio da escola foi doado, como planejado. Entre tantas opções de aproveitamento para o prédio, ele foi doado. Não demora e se verá o município passando o pires pelos corredores do governo, em busca de recursos para tocar obras, por não dispor de recursos próprios em quantidade suficiente, mas doamos um prédio.

Não deveria causar muita surpresa mesmo, tal ato, afinal, no município já foram doadas as calçadas para os comerciantes expor/vender suas mercadorias; as ruas foram doadas a furiosos e inabilitados condutores de veículos para nelas fazer o que bem entender; o canteiro central da principal avenida da cidade foi doado a comerciantes para lá receber sua clientela com brasas, fumaça e bebidas; o teatro doado às baratas; os poliesportivos aos insetos... pensando bem, era apenas uma questão de tempo.

E a reação da plebe a tudo isso se resume a “protestar muuuiito nas redes socais”. E o que resta então de patrimônio público a ser preservado, os urubus domesticados? Contrariamente às falas favoráveis ao projeto, preservar o patrimônio não é se prender irremediavelmente ao passado, pelo contrário, se trata de preservar a memória da cidade, guardar algo que nos resta no presente e nos lembre no futuro. Não se trata apenas de um edifício. É muito mais que isso. São histórias que se encerram naquele lugar e porque não dizer, ali é um museu a céu aberto. Falta sensibilidade para sentir, perceber o que se fez. Agora é tarde. Por todas as memórias agora solenemente sepultadas alisó resta afirma Requiescant in pace.

E tenho dito!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Cultura às traças


Pouco se tem notícia de destruição de bibliotecas, desde que a mais conhecida de todas, a grande biblioteca de Alexandria teve seu fim, supostamente de forma acidental em 48 a.C.

Afora eventuais queimas de livros por conta de disputas por fiéis e pelo poder em curtos períodos da história recente da humanidade, pouco se ouviu falar de outras bibliotecas destruídas, mas para garantir um lugar ao sol, a única biblioteca de Cocal City foi fechada para reforma em meados do ano de 2011 e até a presente data o material não chegou para tal obra. Devem ter encomendado sobras de material histórico dos destroços de Alexandria, com a devida dispensa de licitação, claro.

As fotos abaixo dispensam legendas. Se os tais recursos não chegam, poderiam pelo menos fazer a poda de árvores e limpeza do local. Ou precisa de licitação para isso também?

Foto 1: Arquivo particular.

Foto 2: Arquivo particular.
Foto 3: Arquivo particular.

Fonte de informação para estudantes e demais pessoas, a biblioteca funcionava precariamente, mas tinha um acervo considerável, principalmente de obras de escritores locais. Atualmente o acervo se deteriora, abandonado às traças em um canto qualquer, sem maiores cuidados e à espera de alguém compromissado com educação e cultura, que tenha apoio – caneta, no popular - para realizar os atos necessários para o pronto restabelecimento daquele pequeno ponto de cultura.

Enquanto se acirra a disputa por espaço político nos meios virtuais, importantes obras ficam paralisadas, muito fica por fazer, deixando a desejar.

(...) E a cidade,
que tem braços abertos num cartão postal
com os punhos fechados na vida real (...)


E este é o cenário da cidade esta que aspira a se tornar referência turística no estado, mas não tem competência para resguardar do descaso seu próprio patrimônio. E depois tem os que não entendem o surgimento do fenômeno dos paredões de som. Onde a cultura não tem valor, a falta dela se impõe.

E tenho dito!