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Banco de Imagens |
O ano era
2232. A nave volta à Terra após viajar pelo espaço
por décadas. Seus tripulantes nunca conheceram o planeta,
apenas possuíam arquivos repassados pela Estação-Base, mas receberam como missão a tarefa de relatar o progresso havido.
O pouso
não foi difícil. A pequena nave não teve
dificuldades para aterrissar na área mais apropriada para
isso. O grupo, ao descer, procura referencias para se orientar em seu
primeiro contato com a terra de seus antepassados. Em uma grande
placa, meio enferrujada e caída nos limites do terreno
podia-se ler Futuras instalações do Estádio
Municipal P... o resto não estava mais legível, devido
à ação do tempo. Rapidamente, alguém
lembrou de ter lido em algum lugar informações sobre
esta obra importante, onde – dizia-se – os antigos se entregariam
à prática de um esporte muito popular à época.
Continuando
seu trajeto, desta vez em um veiculo apropriado e munidos de um mapa
holográfico, resolvem percorrer uma antiga via que sempre
pensaram em conhecer, dadas as informações sobre tudo
que já havia ocorrido por lá. De onde estavam
vislumbraram a longa avenida e o piloto tem um deja vu. Não
pode ser – pensou. Consulta o pequeno computador de dados e vê
uma foto do ano de 2015 e a avenida está lá,
igualzinha, até mesmo as poças de lama!
- Povo
preocupado em conservar sua memória, pensou. Sequer fizeram
melhoramentos aqui para não alterar o patrimônio
arquitetônico.
Mais à
frente os agora exploradores tem dificuldade em seguir adiante,
devido a um congestionamento de veículos, causado por um
condutor que resolveu parar no meio da via pública para um
bate-papo com outro condutor, pelo que notaram, aquilo era rotineiro.
Sem perda de tempo, seguem por outra via e assim seguem suas andanças
pela cidade. Aqui e acolá podem observar que as pessoas ainda
se aglomeram para beber estranhos líquidos e conversar sobre
coisas que fogem à compreensão humana, como uns tais
realitys shows.
- Deixemos
isso pra lá. Não viemos aqui para isso.
Mais à
frente, encontram uma construção antiga, talvez a mais
antiga que eles tenham visto até então. Inicialmente
não compreenderam aquela multidão nas proximidades:
bêbados, desocupados, funcionários, trabalhadores em
geral, produtos pelo chão e ocupando calçadas, mas
depois ficaram sabendo que naquele lugar os nativos se abasteciam de
víveres essenciais, como carnes e frutas. Acharam tudo meio
desajeitado e não deixaram de reparar na sujeira do local.
Possivelmente haveriam pequenos animais e insetos no meio da
balbúrdia. Melhor não parar ali. Estranharam o fato de
que nos registros oficiais que dispunha nos arquivos, ali deveria ser
bem diferente do que era. Inclusive, lembram de ter visto maquete
digitalizada onde o espaço era composto por dois andares e uma
escada transportava automaticamente as pessoas para cima e para
baixo.
Exaustos
e totalmente tostados pelo sol abrasador – não viram uma
única árvore em toda a andança – o grupo
explorador resolve voltar à nave, não sem antes
constatar que enquanto esquadrinhavam o local, alguns de seus
pertences pessoais desapareceram misteriosamente e eles não
entenderam como isso pode ter ocorrido. Melhor não tentar
entender mais nada, comentaram entre si. As coisas por aqui continuam
como antes.
Sua
missão chegou ao fim, pois deveriam registrar as mudanças
em relatório, mas diante de tudo que viram, resolvem apenas
reafirmar tudo que lá havia registrado. E antes que fossem
acidentados por uma multidão enlouquecida que conduzia antigos
veículos motorizados de duas rodas, rumaram para a nave e
partiram sem olhar para baixo. No relatório agendam: próxima
visita em 3152.
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Imagem: evoluciencia.blogspot.com |