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Imagem: Arquivo do Blog. |
...É que ela esquece por longos interstícios de tempo que só
se mantém às custas do suor dos outros, que trabalham e se dedicam a melhorar a
própria vida.
A miséria da política é achar que todos são apalermados e
que assim devem permanecer, para gáudio daqueles que se sobressaem na sociedade
ao pretensamente representá-los.
Bem o disse Nelson Rodrigues:
“...E o imbecil como tal se comportava.
Nascia numa família também de imbecis. Nem os avós, nem os pais, nem os tios,
eram piores ou melhores. E, como todos eram idiotas, ninguém pensava. Tinha-se
como certo que só uma pequena e seletíssima elite podia pensar. A vida política
estava reservada aos “melhores”. Só os “melhores”, repito, só os “melhores”
ousavam o gesto político, o ato político, o pensamento político, a decisão
política, o crime político.”
Às massas o papel secundário é visto como obrigatório,
indispensável. Mas e se as massas tomassem conhecimento de seus direitos, o que
mudaria? No momento, nada. A maioria se contenta em conversar nas esquinas
sobre os fatos dos corredores do poder, sem nunca levantar a voz, por medo de
nunca ter oportunidade de ser visto para se regalar com um DAS ou ser aprovado em concorrência
pública.
Chegou a época dos grandes encontros, das massas abduzidas
pelas palavras fáceis e promessas eternas de melhorias. Pior quando estas vêm
de seres já testados e – às escondidas – repudiados. 50 anos em 5, já disse uma
personalidade, 4 anos em 1, espera outra.
Nesta interminável ciranda de poder, uns se revezam no
ápice, outros, coitados, já relegados às páginas esquecíveis da história,
tentam se reeguer das cinzas, qual fênix tupiniquim, mas já sem brilho, com
muita poeira e retórica embolorada.
Que rufem os tambores.