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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Vida moderna

Imagem: Arquivo do Blog.

Recentemente falecido, Umberto Eco dizia que “as redes sociais deram direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam mal nenhum para a coletividade. É a invasão dos imbecis”. Uma passada rápida pelas redes sociais e pode-se confirmar as palavras do escritor italiano.

Enquanto o país vê suas divisas serem saqueadas por quem se propôs a desenvolvê-lo, nas redes sociais assistimos a debates acalorados sobre o destino de personagens de novelas, algumas até mesmo supostamente religiosas.

Outros passam anos supostamente acumulando conhecimento, chegando ao dito nível superior de aprendizagem e se resumem a comentar a qualquer assunto ou foto nas redes virtuais com os termos “top”, “linda/o”, “fofa/o”, mensagens supérfluas acerca de amizades e outras banalidades. Chegam a ser incensados por tais postagens, desfrutando de grande popularidade.

O país se vê próximo a uma epidemia de doenças transmitidas por um mísero mosquito e a massa vai ao delírio em discussões sobre quem deverá ser o próximo eliminado de um certo reality show. Iuhuuuu...


Mais próximo a nós, a cidade se afunda em lama, mato e desempenho sofrível no combate ao mosquito pop star e novamente as mídias se encarregam de repetir lutas ensandecidas entre defensores deste ou daquele suposto candidato a cargo eletivo nas eleições que se aproximam. Para isto vale tudo: fofocas, futricas e especulações que em nada contribuem para melhorar o cotidiano do cidadão comum, vulgo eleitor.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011



Foi dado o pontapé inicial para as disputas eleitorais em Esperantina. Por todos os lugares que se ande sempre aparece alguém comentando o futuro político da cidade e em maior ou menor grau de alienação lançam seus palpites, para desespero dos votantes.

O que se espera é que a peneira pela qual passarão inúmeros nomes de possíveis timoneiros sirva para dar novo fôlego à combalida visão de futuro da cidade. Já é hora de novos ares por aqui. Novas idéias e não a repetição delas.

Até o momento tudo que se tem são boatos e muito disse-me-disse, nomes jogados na berlinda apenas para massagear o ego, enquanto não chega a ocasião perfeita para as eminências pardas saírem dos abrigos na ânsia de abocanhar nacos de poder.

Enquanto o debate se desenrola em torno de popularidade e populismo, os verdadeiros objetos da disputa sequer são lembrados: a governabilidade, as dificuldades locais e o amplo conhecimento da realidade para um planejamento decente que saia realmente do papel e se traduza em desenvolvimento real, sem muito bolodório. Ou seria demais pedir menos holofotes?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Nos Anos 80 era assim

Imagem: wabrasil.com


Sujeito decidido era aquele. Todo ano viajava para trabalhar pelas bandas do sul, no sumpalo. Ao retornar à terra natal, invariavelmente vestido com a moda de lá, tênis com meia, não importava a ocasião e a temperatura; bermudão no meio da canela; camisa de marca comprada na feira e óculos escuros postos sobre os cabelos, para dar um visual inconfundível de recém chegado, que a tudo respondia com um leve sotaque enviesado, ora puxava no R, ora no S parecendo x.

Ele e todos os outros que andavam “no trecho” tinham uma marca registrada: mal chegavam na cidade e já se dirigiam à loja mais próxima onde compravam uma bicicleta Monark do ano e uma flanela – item indispensável, que punham na garupa, que era para dar um brilho na magrela quando tivesse alguém por perto, olhando. Regozijavam-se ao perceber que alguém os observava quando passavam na rua, momento em que executavam pequeno truque: paravam de pedalar e realizavam o movimento reverso, ou seja, pedalavam para trás para, segundo eles, ouvir as esferas (barulho feito a partir do eixo central da bicicleta, na catraca) e com isso conseguiam ainda mais atenção, ao que os populares que o observavam diziam estupefatos:
- Ééééée. Bicicleta novinha. Tirou “da casa” e “pagou no monte”. Isto era o auge da popularidade, o passaporte para os mais diversos comentários e admiração. Fatos que levaram muita gente a seguir o mesmo caminho.

Nenhum destes passava despercebido por quem quer que fosse, visto os modos com que se deslocavam nas ruas. Nos bares e festas eram os mais animados, populares, geralmente pagavam toda a conta e sempre tinham aquelas que se derretiam todas por eles, ou pela grana deles, na maioria das vezes.

Especialmente nos anos 80 este era um típico trabalhador que migrava para os grandes centros urbanos em busca de melhoria de vida, embora destes, grande parte se tornasse prisioneiro desta prática e sempre voltavam ao final de um mês mais ou menos com as mãos vazias, vendiam a bicicleta, o som e o que mais de novidade traziam do sul e se mandavam para lá novamente, este ciclo se repetindo infinitas vezes, até que cansavam ou não conseguiam mais emprego e se estabeleciam nestas terras, geralmente com pequeno comércio para dali retirar o sustento. E não haverá mais farras. E não haverá mais tantos amigos. Nem tantas mulheres. É a vez dos mais jovens também “caírem no trecho” e continuarem a história do êxodo.