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domingo, 22 de julho de 2018

Sombra e água fresca

Imagem: Arquivo do Blog.


Novamente às vésperas de eleições e os problemas de sempre teimam em persistir. Mas o que esperar de uma população que a tudo vê, mas não reage? As coisas mais estúpidas são feitas às escâncaras e o máximo que se consegue de reação são os famigerados comentários em redes sociais.

E o pomposo quarto poder, o que faz? Se amesquinha em troca de migalhas e um cargo obscuro qualquer, foge de escândalos e aguarda nas sombras da lassidão o dia do pagamento.

A todo momento somos atormentados por problemas ocasionados pela falta de empenho em acompanhar os atos políticos locais. De que adianta o tribunal de contas promover seminários com os nativos na intenção de ajudar a população a acompanhar os atos públicos se isso não se reflete em ações? A maioria dos que lá comparecem são universitários, dispostos a pegar o certificado do evento para contar pontos em suas disciplinas. Quantos se debruçam sobre os balancetes mensais postos à disposição da população? A não ser uns poucos que se acham prejudicados em seus salários e buscam saber quanto aqueles Aspones recebem para nada fazer, ninguém mais fiscaliza nada. Nem aqueles que por dever de ofício o deveriam.

Toda vez que um acidente acontece nas ruas da cidade, ali está o resultado da apatia que abate a população ao não se interessar pela correta destinação dos recursos em suas devidas áreas. Deste total desprezo pela vida pública, resta-nos a falta de iluminação pública decente, os péssimos serviços de coleta de lixo, as obras mal executadas nos mais diversos locais e uma miríade de outras ocorrências que seriam amenizadas, caso o interesse fosse mais que fofocar nas mídias sociais.

domingo, 4 de janeiro de 2015

E então o ano iniciou

Imagem: www.aereo.jor.br
O novo ano iniciou, a festa já passou e agora é hora de começar a trabalhar. Como tudo por aqui não é normal, a virada do ano aconteceu na noite de 1º a 2 de janeiro, nada demais para uma cidade que tem por tradição a realização de festas denominadas matinais no período da tarde. Adiante.

Se este será um ano apático – mais um – vai depender de muitas decisões que estão por vir. Mas que não se aguardem grandes mudanças. Quando o período chuvoso iniciar teremos os mesmos problemas de sempre com os deslocamentos pelas ruas enlameadas de nossa Cocal City, a falta de energia nos atormentará e devido ao realinhamento dos astros, as promessas de milhões para melhorar o mundo inundarão os meios de informação, com os projetos de gaveta ameaçando sair antes de ano eleitoral.

Ao largo de tudo isso, permaneço incógnito, mudo e enigmático tal qual esfinge, sempre à espera de algum sinal de que os acontecimentos vindouros sejam auspiciosos e objetivem o desenvolvimento deste rincão à deriva.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Teremos Micareta. Oba!

A cidade amarga péssimas condições de trafegabilidade, saneamento básico, trânsito infernal, barulheira infernal, leis ultrapassadas, fornecimento de energia elétrica e água sofrível e mais uma lista quase interminável de problemas, mas chegou a hora de esquecer tudo isso, pois teremos Micareta!
Imagem: www.umaseoutras.com.br

A qualquer pessoa que não tenha uma portaria é fácil identificar esses problemas em rápido passeio pelas vielas enlameadas e soberbamente cobertas de vegetação. E o que vemos? Políticos ávidos por mostrar serviço em busca de reeleição, desordem e atropelo na execução de obras e ainda por cima a simples presença de membros de um programa humorístico travestido de jornalismo causou frisson por alguns dias na cidade e pra toda a eternidade nas redes sociais. Bem, pelo menos até a próxima eleição municipal.

E assim, aos atropelos, pequenas vitórias e grandes publicidades seguimos à espera de dias melhores.

Dias melhores virão. É o que mais ouvimos, como sempre. Mas de que importa? Teremos Micareta!

terça-feira, 12 de junho de 2012

A solução que não vem


A cidade de Esperantina vive momentos de grande expectativa para conhecer os pretensos candidatos para a eleição que se aproxima. Enquanto isso a situação da cidade continua na mesma, com ruas estreitas apinhadas de veículos, lama e confusão.

Imagem: Arquivo

A imagem que ilustra este texto é de uma rua do centro, onde se escolhe andar livre na lama ou no meio da rua e servindo de pára-choque de veículos, pois a calçada é mínima e ainda tomada por estacionamento. Embora a imagem aparentemente não mostre, no horário comercial o esgoto corre com abundância por ali, sem contar que veículos são estacionados de qualquer jeito, em qualquer posição e os pedestres, maiores vítimas, que se virem. Enquanto as atenções se voltam para quem será o novo candidato, os velhos problemas se perpetuam e desafiam os moradores.

Um desafio aos que ora de lançam candidatos a candidato é criar e executar atividades em que demonstrem a que vieram. Velhos discursos empoeirados pelo quadriênio serão retirados das gavetas para novamente animar a plebe, que sempre cai no mesmo conto de fadas. Neste momento a cidade é mapeada criteriosamente em busca dos problemas, que serão a base para novas promessas, solução para os velhos problemas.

A contenda vindoura definitivamente não será termômetro preciso para decisões precipitadas, pois que não raras vezes se reduz a fofocas de esquinas sobre malfeitos passados, de conhecimento deles desde sempre, mas guardados para vir à tona somente agora em busca de dividendos eleitorais. A maior diversão que deriva disso tudo é ver que agora os problemas por que passa a cidade tem solução, muitas vezes mágica. A partir de agora impossível e apenas mais uma palavra no dicionário. E pensar que os Maias estavam errados.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Se ninguém reclama, tudo bem então.


Tudo bem que esteja lá no hino que Esperantina é território bendito e ordeiro e tal, mas parece mesmo que o que havia de ordeiro há muito foi ultrapassado e hoje a cidade é refém do comodismo, nos mais diversos aspectos do cotidiano. Tudo que vem ou é feito aqui fica bom e se não for bom também fica bom.

Imagem: fayerwayer.com.br

 Além de diversos outros casos que retratam o comodismo local, cito o caso daquele banco que recentemente mudou de localização. Foi mais uma promessa que não deu certo, mas fica tudo bem, ninguém reclamou.

O atendimento por lá continua a maravilha de sempre. Na área externa os caixas eletrônicos nos dão uma vasta gama de opções: podemos ficar bons 20~40 minutos em uma fila e sermos presenteados com o aviso de que não há mais grana; também temos a opção ter o já minguado limite para saques diminuído sem qualquer aviso ou desfrutar a deliciosa situação em que a máquina simplesmente dá um tilt e sobrar como opção somente enfrentar outra fila, assim o ciclo se repetindo até que a paciência esgote ou se consiga atendimento, mas tudo bem, ninguém reclamou.

Desde a inauguração o banco é sucesso de visitação, desconfio até que desbanque a cachoeira do urubu como atração turística. Mas de nada adiantou enfileirar uma porção de caixas eletrônicos se na maior parte do tempo alguns ou a maioria apresenta problemas das mais variadas dimensões. A impressão que fica é que tudo não passou de um arranjo mal-amanhado; pegaram uns caixas pebinhas, deram uma mão de tinta e tchaaannn... tudo novo, palmas. Mas ficou bom, afinal, ninguém reclamou.

Tudo isso sem mencionar a desenvoltura com que agentes de crédito transitam pelas dependências do banco ofertando serviços de empréstimos, como se já não bastasse o barulho infernal das empresas financeiras nas propagandas volantes, no rádio, na internet. Mas novamente, se ninguém reclama...

Aqui funciona assim:
Olha a lama na rua! Silêncio.
Olha a falta de energia! Silêncio.
Olha a zorra no trânsito! Silêncio.
Olha a praça escura! Silêncio.
Olha, este ano não vai ter a festa da semana santa!
- Que absurdo!
- Era o único lazer que os jovens tinham!
- Onde estão nossas autoridades?
- Falta de respeito com o cidadão!
- Dextá! Mar nóis disconta nas inleição!
- ...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Enquanto isso, em um lugar muito distante




Tudo azul no horizonte, céu de brigadeiro na cidade. Nada a incomodar a tranqüilidade passividade nativa. À primeira vista vivemos bem aventuranças, como se a vida fosse um eterno estar à janela.

Sem maiores clamores, parece que a ninguém causa espanto a calmaria que recaiu sobre a cidade nos últimos dias. Nenhum pio sobre a situação dos aprovados nos últimos concursos locais, sem apitaços sobre a situação desoladora do regime próprio de previdência; silenciaram os tambores mesmo sem obras estruturantes.

Para completar o quadro de lassidão, os fiscalizadores se recolheram na insignificância dos cargos e reduziram a estafante rotina de trabalho para dois dias por mês, visto que nada há a declarar sobre o município; nada há a fiscalizar em balancetes que não estão disponíveis; nem mesmo sobre os problemas do trânsito infernal, uma vez que estes foram resolvidos de uma patacoada só, com um trio de agentes em meio período; biblioteca fechada não é problema quando não há leitores; no momento o que interessa é ficar bem na foto, literalmente.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fala, que talvez eu te escute

Imagem: blzestetica.blogspot.com

Cansado de passar horas viajando em trechos de estradas que antes eram vencidos em minutos? Não agüenta mais esperar na fila para ser atendido(a) na rede pública? Seus problemas se acabaram! Para ver resolução destes e outros problemas basta assistir a um dos telejornais da imprensa piauiense. Por lá desfilam personalidades estaduais que têm nas mãos o poder de melhorar ou não, a sua vida como usuário de bens e serviços públicos.

É divertido assistir às suas entrevistas, melhor que os programas humorísticos politicamente chatos corretos, pois durante a realização das mesmas não há problema que não seja resolvido. Um telespectador pergunta sobre a construção de uma ponte em determinada cidade e pimba! A autarquia responde que acabara de sair de uma reunião onde foram tratadas diversas questões sobre obras e a citada era justamente uma delas. E segue a ladainha.

Pergunta um telespectador:
- Mas e doutor, aquela estrada lá na...
Interrompendo:
 - Já está prevista e vai sair.
Outro sonolento pergunta sobre investimentos em saúde e novamente...
- Já está prevista e vai sair.
- E a crise no Estado? Como está?
- ... não entendi a pergunta.
- A crise no Estado, as dívidas...
- ... tudo corre na normalidade. No momento estamos apenas nos adequando à realidade pós-crise econômica mundial, vulgo marolinha.

E assim prosseguem as entrevistas dos digníssimos, enquanto cidadãos se deslocam com lama aos joelhos e/ou sofrem com a falta de serviços e obras públicas a que têm direito. Para eles tudo isso não passa de coisa provisória, como também o é a crise energética que quase ninguém fala, de tão empolgados que estão com o discurso de moralidade e grandes realizações da amazona.

Fique sentado da frente da Tv, não faça força pra tentar entender...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Quem espera... fica cansado e desiste.


Imagem: www.blog.opovo.com.br


O município de Esperantina está às voltas com várias especulações sobre quem será o prefeito de mandato tampão, mesmo que ainda não haja nada definido sobre este quadro administrativo, se haverá reversão ou continuação. Parte da população usa o slogan do Tiririca para justificar a preferência por outro gestor enquanto outra parte tende a esperar pelas eleições do próximo ano para a escolha do salvador.


As inúmeras especulações sobre o tema me fizeram recordar a euforia que a mesma população demonstrou logo após as eleições de 2008, em relação aos legisladores eleitos. Da boca de muitos o que mais se ouvia era que o município tomaria novos rumos nos próximos 4 anos, em parte devido à renovação do quadro de nobres edis, pela atuação que alguns destes possuem em áreas de grande interesse e alcance social, outros pelo conhecimento que supostamente possuem dos problemas e da capacidade em oferecer resolubilidade aos mesmos.

Hoje, já no terceiro ano do mandato, ainda não vimos a guinada, o grande salto para o progresso que se esperava. Na realidade a intensa troca de funções, o despreparo, a ambição desmedida e os acordos não republicanos – digamos assim - simplesmente não permitem a estabilidade necessária à execução dos trabalhos e o cumprimento de metas anunciadas de antemão durante a campanha passada.

Vive-se cíclica e eternamente à espera de dias melhores. A cada decepção uma nova esperança surge bem distante e nos apegamos a ela, até que por sua vez esta se revele tão vã quanto as outras.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Precisamos de uma UPP. No trânsito.


Pois é. Pela TV assisto as ações das UPP’s nos morros cariocas. Fantástico. Sem tiros nem ações espetaculosas, lembrando um exército de Harry Potters a distribuir mágicas e encantamentos em todas as direções, as UPP’s são implantadas no estado do Rio de Janeiro e de imediato inserem o poder público (e suas mazelas, detalhe) em comunidades antes dominadas por traficantes, onde não havia muito a liberdade de ir e ir dos moradores, que se submetiam ao poder dos traficantes, que controlavam a prestação de serviços como internet, o gás e o serviço de televisão a cabo.

Por lá, a coisa funciona mais ou menos assim: a polícia anuncia que vai instalar uma UPP em uma favela qualquer, a bandidagem vê pela TV e... sebo nas canelas, se manda sem disparar um tiro sequer. Não se ouve falar em prisões e nem mesmo apreensões de entorpecentes, mas está lá uma bandeira branca no alto do morro, para sinalizar os “novos tempos”, como um passe de mágica.

Como no Brasil nada se cria, tudo se copia, vislumbrei ali a solução para o trânsito caótico de Esperantina, que seria instalar uma UPPTran – Unidade de Populares Pacificadores do Trânsito. Oh, yeah! Bastava realizar um fórum (novidade por aqui) para discutir a criação de um grupo de trabalho e após a décima rodada, ficaria resolvido que depois de um ano de manjadíssimas campanhas educativas a cidade teria uma tropa exclusiva para cuidar do trânsito, reforçada por muitas faixas com frases de efeito, óculos escuros adquiridos no camelô de confiança, discursos inflamados no rádio, na tribuna e na – cof, cof – imprensa local. Pronto. Fim dos problemas. Simples assim e sem traumas. Por que ninguém pensou nisso antes? Deve ser o efeito BBB.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Nacionalismo fast-food




Basta ligar a TV e esperar. Em algum momento da programação surgirá um plantão da copa ou mesmo no jornalismo do dia-a-dia. Em qualquer lugar que se vire sempre surgirá um individuo ou vários deles brandindo bandeiras, cornetas e uma infinidade de outras quinquilharias, exacerbando o nacionalismo recém adquirido, fast-food. Hora de esquecer os escândalos e a violência comuns no cotidiano.

Neste período de copa do mundo - pois é - tudo fica verde-amarelo, impera a paz entre as diversas torcidas, “Todos juntos vamos, Pra frente Brasil, Brasil, Salve a Seleção”. Durante esta e a próxima fase é só ficar de olhos vidrados na TV, na torcida por bons resultados e se maravilhar. É tempo de faltar ao trabalho, alongar o final de semana com comemorações (ou não).

Até alguns dias atrás, antes da febre verde-amarela, não era raro acompanhar reportagens de rua onde populares, questionados sobre escândalos na política e falta de segurança nas cidades, responderem “ter vergonha de nosso país”. Mas isso agora é passado. Vivemos no imediatismo canarinho.

Durante a ditadura militar no Brasil, era comum que os líderes desviassem a atenção das mazelas sociais e econômicas da população com obras e eventos grandiosos, que mostrassem as glórias do país “gigante pela própria natureza... deitado eternamente em berço esplêndido”. Assim nasceu a cultura do futebol, do carnaval, o maior estádio do mundo, a maior ponte do mundo...

Sempre que se queira desviar atenções é hora de recorrer à velha formula da ditadura. Governos vêm e vão, porém as velhas práticas apenas se renovam com outras roupagens e personagens.

E os problemas? Que problemas? Melhor ver futebol.