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terça-feira, 3 de abril de 2012

Se ninguém reclama, tudo bem então.


Tudo bem que esteja lá no hino que Esperantina é território bendito e ordeiro e tal, mas parece mesmo que o que havia de ordeiro há muito foi ultrapassado e hoje a cidade é refém do comodismo, nos mais diversos aspectos do cotidiano. Tudo que vem ou é feito aqui fica bom e se não for bom também fica bom.

Imagem: fayerwayer.com.br

 Além de diversos outros casos que retratam o comodismo local, cito o caso daquele banco que recentemente mudou de localização. Foi mais uma promessa que não deu certo, mas fica tudo bem, ninguém reclamou.

O atendimento por lá continua a maravilha de sempre. Na área externa os caixas eletrônicos nos dão uma vasta gama de opções: podemos ficar bons 20~40 minutos em uma fila e sermos presenteados com o aviso de que não há mais grana; também temos a opção ter o já minguado limite para saques diminuído sem qualquer aviso ou desfrutar a deliciosa situação em que a máquina simplesmente dá um tilt e sobrar como opção somente enfrentar outra fila, assim o ciclo se repetindo até que a paciência esgote ou se consiga atendimento, mas tudo bem, ninguém reclamou.

Desde a inauguração o banco é sucesso de visitação, desconfio até que desbanque a cachoeira do urubu como atração turística. Mas de nada adiantou enfileirar uma porção de caixas eletrônicos se na maior parte do tempo alguns ou a maioria apresenta problemas das mais variadas dimensões. A impressão que fica é que tudo não passou de um arranjo mal-amanhado; pegaram uns caixas pebinhas, deram uma mão de tinta e tchaaannn... tudo novo, palmas. Mas ficou bom, afinal, ninguém reclamou.

Tudo isso sem mencionar a desenvoltura com que agentes de crédito transitam pelas dependências do banco ofertando serviços de empréstimos, como se já não bastasse o barulho infernal das empresas financeiras nas propagandas volantes, no rádio, na internet. Mas novamente, se ninguém reclama...

Aqui funciona assim:
Olha a lama na rua! Silêncio.
Olha a falta de energia! Silêncio.
Olha a zorra no trânsito! Silêncio.
Olha a praça escura! Silêncio.
Olha, este ano não vai ter a festa da semana santa!
- Que absurdo!
- Era o único lazer que os jovens tinham!
- Onde estão nossas autoridades?
- Falta de respeito com o cidadão!
- Dextá! Mar nóis disconta nas inleição!
- ...

domingo, 13 de junho de 2010

Penso, logo critico.



A opinião é o ato principal para assegurar a existência do ser, não só intelectual, mas também social. Portanto sempre a tenha, seja crítico, seja a favor, seja contra, seja o que quiser... apenas tenha sua opinião, seja algo.

De que adianta ler, estudar, se não se pode emitir opinião? A simples menção de opinião a respeito de temas do cotidiano é mal vista. Conhecem-se muitos casos de pessoas “de formação” que não conseguem emitir opiniões, por medo da crítica ou de perder os cargos. Simplesmente não gosto que outros pensem por mim.

A tendência popular é sempre de rotular pessoas por interesses, dizendo-as tendenciosas, de posição ou oposição, mesmo sem entender a essência dos textos, como os deste blog.

Estes comportamentos é que incentivam e fortalecem a subserviência e o comodismo diante de fatos que dizem respeito a todos. Deixar de emitir opinião por medo é fraqueza, demonstra despreparo para a vida. São pessoas que pensam fortalecer a democracia apenas pelo exercício do voto. Para eles, esperar pelos outros é o máximo, isso já está impregnado na consciência popular. Quase não há iniciativas próprias.

O comodismo breca o desenvolvimento. Por exemplo, é inconcebível que em um município como Esperantina as hortaliças e verduras consumidas tenham que vir de outras cidades ou estados. O comodismo aqui se manifesta quando as pessoas se limitam a cultivar apenas o básico do básico. Esta também é uma das casas do crescimento vertiginoso das filas do bolsa esmola oficial.

Como cobrar desenvolvimento se esperam apenas o básico da administração, tipo: “o pagamento tá em dias”? A máxima em uso é esperar. Se alguém fizer algo novo, tudo bem. Se não o fizer, tudo bem também.