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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Descompasso


Hoje por volta de 6:30 um carro de som circulava pelas ruas da cidade (desconfio que apenas dava a volta o quarteirão aqui de casa), anunciando atos em comemoração ao aniversário - ou algo que o valha - de determinado templo religioso. Nada demais, não fosse o fato de que o código de posturas da cidade regula os horários para propagandas, que não podem iniciar antes das 7:00h e nem se estender além das 22:00h. Leis ultrapassadas? Que se proceda então à revisão delas.

Antes de ser condenado a um banho no lago de fogo e enxofre por denunciar tal ato, digo que o que importa no caso não é o objeto da propaganda e sim o horário importuno. Já foi o tempo em que tínhamos o sossego pelo menos nas primeiras horas do dia.

Chato viver em uma cidade onde todos cobram melhorias, mas não querem fazer parte dela. Cobram leis, mas não as obedecem.
Calçada para os pedestres. Imagem: Arquivo

Leis temos aos borbotões e os poderes são até prolíficos na criação de mais delas. Mas para que criá-las se não as põem em prática? Por exemplo, de que adiantam as placas de trânsito pelas ruas se ninguém as obedece?

Proibido estacionar. Imagem: Arquivo.
Por vezes penso sugerir leis que deveriam regular os serviços de táxis e moto-táxis, mas quem cobraria sua execução? Hoje basta ter um carro, nem sempre em boas condições de uso, estacionar na praça e se dizer taxista; mesmo procedimento para os moto-taxistas, que se diferenciam dos demais usuários de motos apenas pelo uso de colete e nada mais. Até a presente data não encontrei viv’alma que tenha tal preocupação em regularizar tais serviços nesta cidade, talvez por medo de desagradar possíveis eleitores ao lutar por tão impopulares medidas.

De tanto ver o desprezo pelas leis e suas aplicações ou a falta delas - algumas até chegaram a causar furor entre os cidadãos nativos – muitas nunca saíram do papel, como aquela que estabeleceria horários para funcionamento de bares e congêneres; a outra que estabelecia limites de horários para a circulação de menores pelas ruas. Isto para ficar somente nestes poucos exemplos.

A grande pergunta seria: Se não precisamos de leis, porque necessitaríamos de quem as cria?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tudo está igual como era antes...

...quase nada se modificou...

Ao incauto que passar pela proximidades da praça da biblioteca, fica a impressão de que finalmente aquela pracinha passará por reforma, dada a quantidade de material de construção e sujeira lá depositados. Como escreve o cara: isso tudo em plena praça pública!


Na foto vê-se claramente materiais de construção depositados em sua calçada, mas, de passagem, sabe-se que os materiais são para reforma não da praça, mas de uma residência das imediações. E não faz pouco tempo que está por lá.

A cidade possui um Código de Posturas que não serve sequer para calçar uma mesa. Em cidades civilizadas, além-cocal, isso geraria multas e a imediata retirada do material, mas não aqui em Cocal City, onde ainda ouvimos o prosaico “sabe com quem você está falando?”. Por aqui espaços públicos são usados ao bel-prazer de quem bem entender. É assim com as calçadas dos comércios, que se tornaram extensão de suas gôndolas; é assim com os camelôs do mercado ou de onde quer que eles se instalem; também é assim com as oficinas mecânicas; da mesma forma com aqueles bares instalados no passeio da avenida-rio e ainda em extensa lista de lugares.

O que nos falta para que possamos aproveitar melhor nossa cidade? Porque ninguém age/reage a isto? A solução ainda é esperar para consertar isto nas urnas? Porque ninguém acompanha a votação de leis e projetos que mexem com a vida e o cotidiano de Esperantina? Porque não temos campanhas que visem a melhoria da cidade, tipo Pega o Sujão, que apresentou êxito em Teresina em meados dos anos 90? A inércia já causou muito mal a esta cidade e ainda assim continuaremos assistindo passivos a tudo? Será medo de se indispor com pretensas autoridades? A – cof, cof - imprensa local já não apresenta musculatura suficiente para cobrar de quem de direito? Não se vive de projetos. A vida na cidade é mais que uma convenção de interesses.