domingo, 24 de fevereiro de 2019

Retalhos do cotidiano

Imagem: Arquivo do Blog.


Eis que chega o final de semana, depois de uma semana de trabalho, hora de planejar, executar pequenas tarefas deixadas para depois ou simplesmente, descansar.

A vida segue rotineiramente, ou seguia, até que um empresário “de visão” resolve estabelecer seu ponto comercial nas proximidades. Seria apenas mais um entre dezenas, não fosse a peculiaridade de que o dito estenda o serviço até o domingo e, não satisfeito, contrata um, digamos, publicitário, para narrar em alto e bom som, durante toda a manhã de domingo em horários que variam de 6:30 ou 7:00 até as 12:00 horas, as ofertas do dia.

E tome propaganda, e tome falar com os transeuntes como se estivesse em casa. O tempo passa, mas a agonia permanece. Os clientes compareçam ou não, lá está aos domingos o comercio aberto e importunando a vizinhança, sem que ninguém reclame. Talvez não se saiba a quem reclamar, se a uma discreta e semioculta secretaria de papel ou à atarefada segurança pública.

O fato é que os antes bucólicos finais de semana se tornaram uma aporrinhação aos ouvidos. Se durante a semana não há locutor de hortifrutas a ofertar seus dotes, este dá o ar da graça no domingo, dia reservado especialmente ao descanso e lazer, hoje postergado às calendas gregas.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O Toque de Midas


 
Imagem:nodivacomcarol.wordpress.com



A mitologia grega nos brindou com a narrativa sobre Midas, um ganancioso rei da Frígia, que, ao prestar favor ao deus Baco, dele recebeu como recompensa que “tudo que tocasse virasse ouro” e, uma vez munido de tal poder, isto se tornaria sua desgraça, pois tudo que o rei tocava virava ouro, até mesmo a comida do prato. Prestes a morrer de inanição, recorreu a Baco, que desfez tal poder.


Após séculos, a modernidade brinda a classe política com o toque de M*#d@, que a tudo estraga com o mais leve toque. Aqui e ali vemos o resultado deste poder mágico a nos atormentar. Quando recebemos uma péssima prestação de serviços, como a limpeza pública, não é difícil perceber o toque de M*#d@ tornando ineficiente o serviço; a funcionária alçada politicamente a um cargo e que mal levanta os olhos para exercer seus deveres também deriva deste mágico poder, como assim também aqueles que apenas dão o ar da graça em seus locais de trabalho; quando falta verba para construir estádio, quadra, escola e asfalto, lá está o poder mágico se manifestando, onipresente.

Tal qual no período clássico representado na mitologia, também agora nos compete apenas assistir a tudo em silencio solene, esperando a hora em que se desfaça este toque fétido, embora seu séquito deseje permanecer na bonança.

E tenho dito!