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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Retalhos do cotidiano

Imagem: Arquivo do Blog.


Eis que chega o final de semana, depois de uma semana de trabalho, hora de planejar, executar pequenas tarefas deixadas para depois ou simplesmente, descansar.

A vida segue rotineiramente, ou seguia, até que um empresário “de visão” resolve estabelecer seu ponto comercial nas proximidades. Seria apenas mais um entre dezenas, não fosse a peculiaridade de que o dito estenda o serviço até o domingo e, não satisfeito, contrata um, digamos, publicitário, para narrar em alto e bom som, durante toda a manhã de domingo em horários que variam de 6:30 ou 7:00 até as 12:00 horas, as ofertas do dia.

E tome propaganda, e tome falar com os transeuntes como se estivesse em casa. O tempo passa, mas a agonia permanece. Os clientes compareçam ou não, lá está aos domingos o comercio aberto e importunando a vizinhança, sem que ninguém reclame. Talvez não se saiba a quem reclamar, se a uma discreta e semioculta secretaria de papel ou à atarefada segurança pública.

O fato é que os antes bucólicos finais de semana se tornaram uma aporrinhação aos ouvidos. Se durante a semana não há locutor de hortifrutas a ofertar seus dotes, este dá o ar da graça no domingo, dia reservado especialmente ao descanso e lazer, hoje postergado às calendas gregas.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Constatações de primeira vista


Em inúmeras páginas de internet é possível encontrar um famoso texto de Rui Barbosa, onde se lê: de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Particularmente no que diz respeito à vergonha de ser honesto, vem-me a mente o esforço que faço e que a maioria da população também faz para conseguir honestamente os caraminguás no final do mês e que, após saldar as dívidas, pouco sobra para o lazer, fico a pensar o que uma pequena parte da população de Cocal City faz para conseguir sobreviver. São bon vivants que ultrapassam os limites dos finais de semana em bebedeiras, festas e comemorações, a bordo de carros ou motos possantes, que não combinam com suas rendas.

Boatos dão conta de que muitos amealham pequenas fortunas na usura, mas mesmo nesta forma ilícita de comércio os ganhos não são assim tão deslumbrantes como pensa a maioria, isso sem contar os calotes que vez ou outra são aplicados nos usurários. Não percebo ricas heranças sendo distribuídas e nem prêmios mirabolantes nas loterias federais para justificar tais esbanjamentos.

O que resta então? Como explicar licitamente estes súbitos acessos pecuniários? Ou alguém encontrou a galinha dos ovos de ouro ou então se tornaram experts em negócios não-republicanos, como diria o carequinha do mensalão.

Que vergonha de trabalhar! Semanas inteiras dedicadas ao trabalho por quase nada. Porém, tal qual pilha alcalina, também há um lado positivo: pelo menos podemos nos dar ao luxo de dormir sossegados – se os imbecis dos trios elétricos particulares assim o permitirem.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O sol, este vilão.



Que o Brasil é um país tropical, todos sabemos.
Que o Piauí é quente para caramba, idem.
Esperantina não poderia ser diferente. Aqui faz um calor subsaariano, influenciado pela carência de verde na área urbana, entre outros.

É do conhecimento de todos que trabalhar sob o sol escaldante deste torrão é quase um ato penitencial. A imprensa alerta sobre os perigos da exposição ao sol em determinados horários do dia, mas e quem precisa trabalhar como fica? Não imagino um trabalhador rural, por exemplo, com um horário de trabalho das seis às dez da manhã e das dezesseis às dezoito horas.

Toda esta introdução serve apenas para chegar ao ponto: porque a turma de pessoas que varrem as ruas da cidade trabalha à noite? Se por um lado o clima é mais ameno, por outro o serviço não pode ficar lá essas coisas, visto que a iluminação pública é insatisfatória em muitas ruas de Cocal City.

Do mesmo modo o trabalho dos que fazem a capina nas ruas, por vezes acompanhando as varredeiras deixa a desejar pelo mesmo motivo: a iluminação. Se durante o dia sobram nesgas de vegetação após a passagem da turma da limpeza, imagine à noite, nos trechos mal iluminados. É improvável que nestas condições o serviço saia a contento. Ou isto é apenas mais um faz-de-conta?