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domingo, 12 de junho de 2011

A salvação da lavoura ou a alternativa sem ela

O turismo cá, nesta terra dos cocais é muito simples: basta uma poça d’água e uma árvore que dê sombra e lá está mais um ponto turístico. Para complementar o quadro de apoio ao turismo instala-se um bar e pronto, sucesso garantido nos finais de semana, com direito a atração musical, leia-se serestas e fim de papo. Mais que isso é coisa de quem exige demais e quer aparecer.

 Imagem: Arquivo

Muito se alardeia as potencialidades turísticas da região, que realmente existem, mas não se fala, ou melhor, não se faz nada para dotá-las de infraestrutura para receber com um mínimo de dignidade os eventuais turistas. Isso em uma região que pouco produz, embora tenha capacidade precariamente explorada e em que parcela significativa da população é mantida no ócio pelos programas de redistribuição de renda.

No momento não me vem à memória o que haveremos de mostrar na cidade que não seja obra exclusiva da natureza. Se um visitante resolve conhecer a cidade, quase obrigatoriamente será levado à Avenida Petrônio Portela e conhecerá um lugar parcialmente construído ou destruído, como as extremidades dos passeios da avenida, o asfalto, calçadas... sem falar no desleixo das instalações  comerciais, onde ora tem um remendo malfeito na calçada, ora tem o mal cheiro de lama, ora o atendimento precário e mais um rosário de detalhes que complementam um quadro de despreparo para sequer manter a audiência dos nativos, que dirá receber turistas.
Imagem: Arquivo

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sobre opções ou a falta delas


Aos que não são chegados a festas em Esperantina a sina é se ligar na TV, internet ou um bom livro. Se não for assim, o que nos resta? Temos as prosaicas feiras de ciências nas escolas, mas por lá as apresentações são tão mecanizadas e decoradas quanto as explicações de guias em locais de turismo, assim: blá, blá, blá... fôlego... blá, blá, blá...

Fora os festejos anuais e a folia na semana da páscoa o que mais temos a oferecer como entretenimento? Pedir uma feira de literatura seria demais em uma cidade que não conta sequer com uma livraria. Música ao vivo está uma modorra só. Os esportes se resumem a campeonatos de futsal. A opção do happy hour está cada vez menos atrativa, dada a falta de préstimos nos bares, sem falar que passar horas suportando os mesmos DVDs de forró nesses locais é um tormento.

Enquanto o progresso não vem, o barato é alternar as fontes ofertadas e esperar dias melhores, afinal, a “grande esperantina” aspira a participar da rota turística no estado, mesmo aos trancos e barrancos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Enquanto o carro do lixo não vem...



Andando por algumas ruas de Esperantina, qualquer pessoa que não exerça cargo eletivo percebe que em todas grande parte delas não existem lixeiras públicas.

Um item básico, barato e necessário a qualquer cidade que se preza são lixeiras públicas. Entre tantos projetos, requerimentos e indicações que inundam as sessões do legislativo municipal, bem que poderiam incluir a instalação de lixeiras em pontos estratégicos. Melhor que pedir quebra molas ineficientes, orelhões – que de qualquer forma serão instalados – ou mesmo as bajuladoras manjadas moções de aplauso.

A ausência de lixeiras é um convite ao emporcalhamento de nossas ruas - como se precisasse. Infelizmente não é raro ver transeuntes descartando seu lixo em plena via pública, com a inocência de um querubim. Se já é difícil que as pessoas usem as lixeiras – quando estas existem – imaginem alguém andar por quarteirões com o papel do chiclete consumido ou o folheto com propaganda de financeiras para jogar na lixeira de casa. Somente a instalação de lixeiras não resolve, claro, pois esta é uma questão educativo-cultural, mas ajuda a amenizar muito esse problema.


Como se percebe, nem só de “reciclagem-de-pets” no período natalino é feita a limpeza urbana. Cenas como as das fotos que ilustram a presente postagem seriam evitadas com as lixeiras instaladas. Elas não foram tiradas na periferia, onde há constantes reclamações, elas são recortes congelados do tempo e  aconteceram ao lado de uma escola, em área central. Os urubus, animais-símbolo da cachoeira, podem se tornar os mascotes oficiais da cidade também.

E pensar que tudo isto ocorre em uma cidade com pretensões de pólo de turismo!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SubDesenvolvimento, aqui vamos nós.



Em meados do mês de julho do corrente ano a prefeitura municipal removeu as estruturas metálicas daquela que seria a rua climatizada de Esperantina, a pedido dos comerciantes supostamente prejudicados com tal obra.

À época da retirada, foi aventada a possibilidade de construir um calçadão (observem que acabavam de destruir parte dele) no local. A isso historicamente se denomina Teia de Penélope, ou obra que não tem fim previsto, pois se constrói em um dia para desmanchar em outro.

Não vi ou mesmo ouvi protestos de populares sobre o desperdício de dinheiro público na obra. Em vão esperei que aquele(s) blog(s) que mal e porcamente fazem as vezes de diário oficial do município publicassem algo a respeito, mostrando opiniões as mais diversas. Tempo perdido.

O que saiu mais caro: a construção inacabada ou a retirada do pouco feito? Agora os comerciantes do local devem faturar e juntar dinheiro a rodo, visto que o povo voltou a circular naquela via. Às favas os incômodos a que os transeuntes estão sujeitos, como o trânsito furioso de bicicletas, motos e assemelhados no local.

Meses após tal fato, provoco: o que foi feito do material retirado do local? Provavelmente enferruja em algum depósito. Onde estão os fiscais do povo? O que dizem a respeito (oficialmente e não nas esquinas, à boca pequena)? Que providências tomaram? Ou não viram nada?

O projeto da rua era bem interessante, megalômano e supérfluo, sob muitos aspectos, mas interessante. De ruim tinha as estruturas metálicas, que eram muito baixas e com certeza tornariam um forno aquele trecho. Mas daí retirar o pouco que já havia sido feito somente para atender caprichos e ciumeira de comerciantes já é demais.

Se, ao contrário, a obra fosse concluída, a cidade ganharia um ótimo espaço para compras, um diferencial em relação a outras cidades da região.

Fico à espera de novo projeto para a rua, pois do jeito que está não engrandece em nada a cidade, vendida nas feiras como turisticamente viável. Uma cachoeira por si só não é suficiente como vetor de desenvolvimento.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A solução, afinal.

Depois de dias sufocado por intensa e estupenda propaganda, tivemos uma consulta pública para ouvir e debater com a claque sociedade da região as ações que são se espera estratégicas para promover o desenvolvimento subsidiado sustentável de alguns municípios deste e mais dois estados vizinhos da área de abrangência do plano. Ufa... cansei. E ainda fiquei só nos objetivos. Deter-me-ei apenas no turismo, tido como o comércio do futuro. Sim. Mais precisamente em Esperantina. Desenvolver o turismo no meio do cocal. Até ai tudo beless. O problema é na hora de acordar!

A cidade não tem estrutura para receber turismo em média escala, somos mal servidos nos bares, destratados nas ruas e imbecilizados na mídia.

O grande barato seria primeiro estruturar a cidade e logo após incrementar o turismo.

Mas o que temos a mostrar? A cachoeira do urubu é muito boa, mas insuficiente.

Há a opção da fazenda histórica do Olho D’água dos Pires, onde a tentativa de “resgatar” a história já começa no erro, ao mudar o nome para Olho D’água dos Negros. Tentemos outro.

O que mais então? O teatro Diniz Chaves, que já foi quadra de vôlei e permanece na linha do esporte e serve de academia? Passa este.

As churrascarias nas margens dos rios? Também não servem, parecem imagens paradas no tempo, bucolicamente entorpecidas. Próximo.

O cemitério dos ciganos teria valor histórico/turístico? Precisaríamos então afastar as névoas que envolvem esta triste história que cerca o massacre e escrevê-la sem medo da pressão de determinados setores de nossa “sociedade”, supostamente beneficiada na ocasião do sinistro.

Sobraria o que então? Nosso potencial turístico se resumiria a isto?

Creio então que deveríamos explorar uma alternativa típica, talvez a única genuinamente esperantinense: os incríveis urubus domesticados que ainda infestam nossas ruas.