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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Obstáculos do cotidiano


Cada dia fica mais difícil a situação dos pobres mortais que precisam se submeter a concursos públicos, sobretudo em uma cidade pretensamente importante como Esperantina onde até o momento ninguém se dignou em implantar cursinhos preparatórios para concursos. E ainda falam na grande Esperantina.

No domingo, quando era realizado o último concurso, ficou a impressão de que cometíamos algum crime ou éramos suspeitos de algo ruim, pois na sala de aula as medidas de segurança beiravam o absurdo. Desligar o celular, retirar a bateria, retirar objetos metálicos dos bolsos, coleta de digitais além do básico não olhar de lado, não conversar e as mulheres ainda deveriam arrumar os cabelos por trás das orelhas, para dificultar o uso de ponto eletrônico. A continuar assim, não demora e seremos abordados antes de entrar em sala com o conhecido: encosta na parede, vagabundo! Tá fazendo o que por aqui?


Tudo isso por um emprego. Tanta segurança e ainda ouvimos conversas sobre manobras em concursos, como vazamento de gabaritos, de questões.

Do outro lado da história, aqueles que têm por profissão ser filho de político conseguem ótimas colocações em bons empregos, não importa se temporários ou não. Podem ser vistos chefiando órgãos públicos ou abarrotando folhas de pagamento em uma clara afronta à máxima que diz o sol nasce para todos.

A cada período eleitoral quando um salvador é eleito, promete mudar a cidade, mas não diz de que forma. Pelo visto até o momento, o melhor a fazer é  inundar a atual e construir uma nova.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Trabalhar não é fácil. E de graça é ainda pior.


A recente onda de assaltos em Cocal City, em especial aquele em que foi invadida uma oficina de motos (roubar o que em uma pequena oficina?) preocupa a população. Se nem a proximidade da dita oficina em relação ao quartel da PM e à Delegacia local intimida mais, o que se dirá em relação aos bairros mais afastados da cidade?

Coincidentemente, sempre que se aproximam os períodos de ocorrência de festividades por aqui, aumenta o número de roubos/furtos nas diversas modalidades. É. Trabalhar para conseguir uns caraminguás no fim do mês é uma proposta que não atrai determinados indivíduos, mas, se o trabalho não traz retorno rápido, pelo menos dignifica. Diria à marginalidade que optando por um emprego, o salário no final do mês às vezes atrasa e atrapalha a vida de QUEM trabalha, mas não atrasa sempre, nem para sempre, apesar dos pesares.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

E a cidadania, o que é?




O que as pessoas fazem com o que ouvem-vêem-aprendem nos muitos encontros e/ou cursos com temáticas de cidadania? Participam efetivamente ou apenas comparecem, visando mais um certificado ao final do curso para pendurar na parece ou incrementar o currículo?

Questiono isso porque - lamentavelmente - constato que ainda existem pessoas com o pensamento retrógrado de condicionar o voto ao recebimento de favores, os mais diversos possíveis. Por vezes um emprego temporário eterniza uma chaga cultural. Não tem amor próprio quem vende o voto e tampouco quem o compra tem consciência da exata dimensão de vida política (política na acepção plena da palavra e não o que vemos). Não raro é possível encontrar pessoas que se dizem eternamente gratas a determinados líderes políticos que as presentearam com um bom emprego, tornando-se assim dignos das melhores palavras, representantes na Terra do que acreditam divino. Quem presta favores a outros, pensando em retorno, não merece respeito e quando os favores envolvem serviços públicos então, o prestador torna-se ainda mais infame.

Se até bem pouco tempo atrás uma reles camiseta contentava a plebe, hoje o nível de consciência está mais elevado. É! Graças à TV – esse poço jorrante de cidadania - hoje vemos nos grandes escândalos-nossos-de-cada-dia que nada sai de graça. Se ao povo em geral não é dada a oportunidade de encher as cuecas e meias com notas espúrias, faz-se necessário então barganhar uma colocação em órgão público para satisfazer o corpo e alimentar o ego. E a mamata funciona assim: se o contemplado for “de família” nada mais salutar que um DAS macetoso, afinal, não fica bem para um desqualificado congênito pegar no batente, sabe como é. Porém, como nem todos pertencem à classe dos bem-nascidos, para estes sempre sobra uma vaga, para trabalhar é claro, mesmo que por míseros reais. Daí se depreende o porquê da grita geral contra a privatização dos cabides de emprego, digo, das estatais: é preciso manter o curral de eleitores. E tome cidadania.

Quanto vale, então, a dignidade de uma pessoa? Basta um emprego temporário para calar e transformar um cidadão em expectador inerme dos descalabros que assistimos? O que dizer dos que não compartilham das mesmas opiniões e não se corrompem em troca dos favores? Por tal “rebeldia”, por não partilhar do laço inculto devem ser condenadas à vala comum nos concursos públicos?  As palavras são surradas, mas repito: quem vende/troca o voto não pode cobrar nada de quem o comprou.

terça-feira, 2 de março de 2010


Enquanto a parcela da população que resolveu trabalhar amarga o miserê salário mínimo por um mês inteiro de esforços e aporrinhações, outra parte da população fofialmente desfavorefida - e portanto apta a receber as maiores benesses por isso – agora pode ser beneficiada com mais umas pratas na esmola oficial de todo mês. É que tramita no senado um projeto que prevê aumento do benefício do Bolsa Família para famílias em que as crianças em idade escolar tenham bom desempenho educacional.

O projeto tem tudo para ser aprovado. Sabe como é, nesta altura do campeonato, ninguém quer ficar malvisto, entende?

O fantástico projeto determina a criação de um benefício variável com base no desempenho escolar de estudantes de seis a dezessete anos. Inclusive antevejo uma geração de Einstein’s proliferando no país, por conta deste espetáculo de projeto!

Oferta de trabalho, como os 10 milhões de empregos prometidos nem pensar. Espetáculo do crescimento? Só mesmo das bolsas-muletas sociais.