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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Amnésia coletiva

Foto: www.fmanha.com.br

Recente pesquisa divulgada pelo TSE indica que grande parte do eleitorado brasileiro não lembra em que votou nas eleições de outubro passado. Isso bem mostra o interesse da população pelo tema e lança luz sobre as votações históricas de candidatos.

Os resultados da dita pesquisa vêm apenas corroborar o que já é de amplo conhecimento de alguns: que os resultados das eleições são grandemente afetados pela conhecida prática do Maria-vai-com-as-outras. Poucos ousam investigar o passado ou mesmo checar informações sobre determinados partidos ou candidatos, preferem a maneira mais fácil: simplesmente votar em quem está à frente nas pesquisas eleitorais, daí resultando a enxurrada de pesquisas feitas nos períodos eleitorais, uma vez que esta tendência foi descoberta pelos marqueteiros, os verdadeiros condutores das disputas.

Se as pessoas não lembram em quem votaram, como podem solicitar ou mesmo criticar os atos políticos dos mesmos? Enquanto isso, a falta de interesse em escolher bem um candidato - missão difícil, diga-se de passagem - torna mais fácil a vida daqueles que já exercem mandatos, visto que já são conhecidos e são conhecedores deste desleixo, digamos, no exercício da cidadania, em bom populês. De nada adiantam então as campanhas pelo tal voto consciente, embora nunca tenha visto alguém votar inconscientemente.

E você ai, um dos cinco leitores deste blog, feliz da vida, rindo satisfeito porque seu candidato foi eleito. Mas quem era ele mesmo?

sábado, 24 de abril de 2010

A democracia, o voto e o novo cidadão



Durante o império, o voto era obrigatório, porém censitário: só tinham capacidade eleitoral os homens com mais de 25 anos de idade e uma renda anual determinada. Estavam excluídos da vida política nacional quem estivesse abaixo da idade limite, as mulheres, os assalariados em geral, os soldados, os índios e - evidentemente - os escravos.

Após a queda do império sobreveio a república, salvação de todos os males e que, a fim de estender a cidadania à maior parcela da população, estabeleceu o voto feminino em 1932 e que foi exercido pela primeira vez em 1935.  Mas ainda era pouco.

A partir de 1988, com a outorgação da tal constituição cidadã, o eleitorado aumentou consideravelmente, e veio a ultrapassar a casa dos 100 milhões. Atualmente, o voto é obrigatório para todo brasileiro com mais de 18 anos e facultativo aos analfabetos e para quem tem 16 e 17 anos (que não podem ser responsabilizados por crimes cometidos, mas podem escolher mandatários) ou mais de 70 anos. Estão proibidos de votar os estrangeiros e aqueles que prestam o serviço militar obrigatório.

Ainda não satisfeitos com o total de votantes, os arautos da democracia tupiniquim agora estendem o voto aos presos provisórios. É demais. Já chega. Quando o elemento comente um crime, choca a opinião pública, é massacrado pela imprensa, chamado de bandido e outros adjetivos correlatos. Agora, para votar é chamado de cidadão.

Imagino a cena. O neo-votante se aproxima pensativo da urna, pensa por alguns instantes e resolve:
- Vou votar neste aqui, que me ajudou criando leis amenas.

Ou ainda:
- Voto neste, mó gente boa. Mandou os advogados dele para me defender. Chamou os direitos humanos e tal...

E assim por diante, os pensamentos seguem em agradecimentos. O que ainda falta?