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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dia Mundial sem carro

Imagem: mobilicidadejf.com.br.

A data foi criada com o objetivo de incentivar as pessoas a refletirem sobre os enormes problemas que o uso excessivo dos veículos, nas grandes cidades, pode causar ao meio ambiente e ao bem estar da sociedade.

Aqui, como não poderia ser diferente, se trata apenas de mais uma data, nada há para comemorar. A intenção seria que as pessoas se dirigissem ao trabalho ou outras atividades utilizando bicicletas, mais um sonho destruído.

Aqui, nesta terra de ninguém é cada vez mais rara a presença de bicicletas no trânsito, substituídas que foram pela voracidade da vida moderna, que requer cada vez mais velocidade para executar as coisas de sempre, mas tem que andar rápido. Quando um pai diz: - menino, vai lá na panificadora. Zuuuummm. Dois minutos depois lá está o garoto de volta da panificadora que fica logo alí na esquina, mas a moto era necessária para "tirar onda" com a geral.

Se no passado a população se utilizava de bicicletas em seus deslocamentos diários, hoje os veículos automotores vieram para diminuir distâncias é verdade, mas também para criar novos problemas, como os vistos por quem se aventura a andar pelas ruelas da cidade.

Hoje quem ainda se aventura a se deslocar pela cidade em bicicleta encontra uma concorrência feroz com os abilolados em seus bólidos. A cada esquina o perigo espreita acima de tudo, os ciclistas agora tem menos locais para guardar suas bicicletas, pois os bicicletários, aquelas estruturas utilizadas para estacionamento sumiram da cidade, a exemplo daqueles localizados em frente ao mercado público local. E se ainda algum persiste instalado é inutilizado para os ciclistas, pois outros veículos lhe tomam a frente e o espaço, tudo isso aos olhos complacentes das autoridades que poderiam fazer algo pela causa, mas preferem a omissão vergonhosa.

Mais uma vez o silêncio é a única resposta aos anseios da sociedade.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O grande lance


Foto: www.wallysou.com

Vivemos estranha realidade. Lembro de ter lido algo sobre a mudança de valores e comportamentos pessoais na sociedade. No passado não muito distante, crianças brincavam de polícia e bandido e era uma confusão, pois ninguém queria ser bandido. Hoje, poucos querem ser polícia. A marginalidade dá um imaginário status de poder, de popularidade, de aceitação.

O trânsito local é um ótimo local para se observar esta “evolução” comportamental. Ao andar pelas ruas de Esperantina temos a sensação de que fazer o correto é incorreto. Quem se comporta legalmente no trânsito é taxado de Mané, trouxa e termos afins. Quando vemos alguém de capacete guiando uma moto logo vem o pensamento de que aquela pessoa não é da cidade, tal o descalabro que se encontra.

O grande barato por aqui, algo que caracteriza as pessoas descoladas – os caras - é o descumprimento de leis e convenções. Não é incomum ouvir alguém se referir a outro com expressões do tipo: aquele doido ali só anda voado! Para esses, aquelas placas simbólicas e risíveis fixadas nos postes parece ter escrito: ei, psiu, você NÃO está na contramão!Ou ainda aqueles que se acham o máximo por incomodar os ouvidos alheios com o som infernal de músicas chulas em possantes equipamentos de som. Tem também aqueles que se vangloriam em desfilar pela cidade em carros alienados ou de ofertá-los a qualquer tempo, qualquer modelo, como se fosse o máximo.

Estes tipos são populares e fazem relativo sucesso entre a galera. Estão sempre nos diversos eventos da cidade e podem ser vistos também em outras cidades. Na maioria dos casos ostentam o que não são, o que não têm.

Mas, enquanto estes indivíduos continuem adorados pelo que não são, continuaremos a ver o trânsito caótico, a sociedade torta e órfã de valores.

sábado, 4 de setembro de 2010

E a Democracia, quem diria, é isto então?


Democracia, direitos e povo são algumas das palavras do dia. O chato é que no período eleitoral a democracia nivela a sociedade, manietando-a. Somos convocados a fortalecer a dita democracia, votando. Melhor seria se a mesma democracia também servisse para, por exemplo, amenizar as discrepâncias e mazelas sociais. Bem entendido que esta opção não passaria necessariamente pela esmola oficial para tanto.

Do sossego do lar somos sujeitados a ouvir barulheira infernal, onde determinadas pessoas alardeiam suas qualidades e esquecem os defeitos. Prometem alterar o cenário econômico, social, enfim, todos os aspectos possíveis. Democracia deve ser isto então.

Uma vez violada a paz no lar, procuramos então distração na TV e lá estão os ditos com o mesmo falatório. Maldição - penso – temos que esperar mais tempo para assistir os programas favoritos. Mas enfim, isso é democracia.

Para que o sono não entorpeça antes de ver algo interessante na TV temos a opção da internet. Mas algum chato gênio resolveu enviar pelo email mais propaganda eleitoral, mais do mesmo. O desespero bate. Não é possível! O último refúgio foi violado. Se tentamos ler algo para distrair nos webjornais/blogs, matérias disfarçadamente tendenciosas nos fazem ver que o pleito que se aproxima é apenas para “cumprir tabela”, quase WO.

Ah! A democracia deve ser isto mesmo: o direito de não escolher o que ouvir quando se quer silêncio; assistir chatices ludibriantes ao tempo em que queríamos distração para as agruras do dia-a-dia; acessar a rede mundial e ver que sua caixa de emails repleta de e-lixo promocional dos postulantes.

Enfim, nada como viver em um país democrático! 

quinta-feira, 11 de março de 2010

Campanhas que gostaríamos de ver por aí



E o que aconteceu com a campanha Ficha Limpa? Como, que Ficha Limpa?

Aquela campanha que pretendia, como é mesmo? Melhorar a qualidade dos candidatos a cargos eletivos no país. Uma espécie de releitura da seleção (quase)natural das espécies.

Segundo o site http://www.mcce.org.br/: A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar.

Pois é. Aqui em Esperantina foi ensaiado um início de campanha, mas uma rápida olhada nas folhas de assinatura pode-se observar algumas assinaturas de pessoas que são alvo justamente da campanha. Pode? Será que os digníssimos dariam um tiro no pé?

Será mais uma lei para inglês ver (caso algum dia venha a ser aprovada).

Falta maior visibilidade à campanha e empenho da sociedade. Seria necessário que tal campanha contagiasse a população, assim como o fez a campanha pela abolição da escravatura, nos idos de 1800. À época, poetas, jornalistas, o povo em geral e até mesmo alguns políticos engajaram-se em renhida luta pela abolição do flagelo da escravatura. Quando, por fim, a princesa Isabel resolveu dar a canetada (penada?), a abolição já era fato consumado no país.

Voltando à atualidade, a imprensa e outros formadores de opinião bem que deveriam se empenhar mais e lançar mão dos imensos meios disponíveis em prol desta campanha. Seria bem mais válido que nos aporrinhar a paciência com os reality shows da vida e os intragáveis programas de auditório.

Desse jeito os discos voadores nunca vão aparecer! Já previu Raul Seixas.