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segunda-feira, 21 de março de 2011

Infortúnio


Foto: www.podscrer.blogspot.com

Não bastasse o BBB 11, a dengue rondando e a lama na esquina da viúva mais querida, agora o governo federal decide dar uma mãozinha aos municípios para a criação de rádios comunitárias por meio do plano nacional de outorgas para radiodifusão comunitária.

Segundo o ministro das comunicações, esta é uma das prioridades da presidente (sim, é presidente mesmo). Pensei que a primeira delas seria “botar moral” na prestação – pois é - de serviços das empresas de telefonia celular, mas deixa pra lá, o povo, ou melhor, os ouvintes estão ávidos por notícias requentadas e convite de festas que abundam na programação das ditas, sem falar nos debates imparciais que nos aguardam ano que vem.

Imagino que sobre isto será dito que é mais uma forma de levar cidadania a todos e todas, tolos e tolas.

De acordo com a legislação até o momento vigente, a distância legal entre uma e outra estação é de no mínimo 4 quilômetros. Por sua vez, a cobertura deve abranger um raio de 1 km, porém, como por aqui a cantiga agora é outra, até idealizo a cena: em uma esquina um bar, na outra uma rádio comunitária...

Não sei bem porque, mas depois de ler sobre este novo projeto lembrei-me da letra de uma música daquela banda de forró (antiga, claro):

eu vou pra lua,
eu vou morar lá
sair do meu Sputnik
do campo do Jiquiá [...]

terça-feira, 4 de maio de 2010

E a história se repete

Foto: Secom



Não fosse o calendário ao lado da mesa, pensaria ter retornado alguns anos no tempo. Gritos, foguetes, algazarra, luzes vermelhas intermitentes a clarear a escuridão das ruas para anunciar a chegada de uma ambulância. Era preciso mesmo desfile da ambulância pelas ruas do município, qual Napoleão ao adentrar Paris após mais uma batalha ganha? Será que ninguém saberia da existência dela sem o pirotécnico desfile?

Algum tempo atrás era comum se ouvir pelas ondas de rádio que Esperantina estava na UTI, entre outros alarmismos. A internação continua, pelos mesmos motivos. Esperantina está doente. Continua doente (é preciso grifar o termo continua, senão os arlequins simpatizantes entopem a caixa de comentários com bobagens, em textos truncados, ricos em gerúndios). Eis alguns dos muitos males que acometem a cidade: crescimento urbano desordenado, demanda por serviços públicos não atendidos, violência, soberba, ganância, lascívia, o eu antes do nós...

Foi apenas mais um capítulo de uma história que iniciou há décadas. Como já foi dito, a propaganda é mesmo a alma do negócio.