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domingo, 30 de abril de 2017

O estado como pai de todos

Imagem: aforrobodo.zip.net

A despeito de tudo que se fale em matéria de crise financeira, o tamanho do estado (por estado, entenda-se, os governos nos diversos níveis) continua a aumentar. Fechando os olhos para parcela considerável da população que trabalha e se esforça cotidianamente para conseguir o pão de cada dia, gestores se esforçam para pesar ainda mais a mão do estado no bolso do cidadão contribuinte.

Neste sentido, vale de tudo. Um sem-número de “pra nada” são escolhidos para ocupar espaços públicos bem remunerados, enquanto outros são preteridos não por falta de habilidades, mas por puro critério político-eleitoreiro, sim, porque o único motivo que faz com que inúteis assumam cargos é o título eleitoral. E tudo isso acontecendo em plena luz do dia, sob os olhares complacentes de todos, boquiabertos diante da autoridade emanada pelos "escolhidos" democraticamente para trabalhar em prol de toda a população. Mas isso é outra História.


Por isso tanto desprezo pela desestatização, pela diminuição do estado na vida do cidadão. Preferem um grande estado, provedor de tudo e para poucos. Temem a iniciativa privada não por desprezo ao dinheiro, mas por temor às cobranças por eficiência nos atos.

sábado, 28 de maio de 2011

A estatização da Cultura Popular


Imagem: http://bira-viegas.blogspot.com/

Anos atrás a cultura popular, espontânea e original, era executada com interesses puramente de entretenimento das massas e como forma de repassar para as novas gerações os valores, costumes e conhecimentos de épocas passadas. E a vida seguia inexoravelmente, sem maiores traumas.

Agora a cultura é comercializada, enlatada. Não assistimos mais somente apresentações culturais, agora são espetáculos e aquela máxima de que “o que vale é competir” foi relativizada. Os festivais juninos, mais especificamente, se transformaram em palco de concorridas competições  negócios, com a padronização de passes, vestes e apresentações até certo ponto luxuosas, com seus defectíveis CDs de apresentação em vozes cavernosas. As roupas simples se metamorfosearam em produções dignas das escolas de samba, com adereços e tudo. A descaracterização dos festivais agrada a muita gente e segue adiante, mas não encantam como antigamente e nem de longe lembram a simplicidade e criatividade com que éramos presenteados. É a modernidade, diriam alguns. É a estado-dependência, digo.

Enquanto os demais países do mundo – os livres, pelo menos – tentam minimizar a intervenção do estado na vida dos seus patriotas, o Brasil segue o caminho inverso. Neste contexto, Esperantina dá sua contribuição na peleja, como não poderia deixar de ser.

Se os grupos culturais de outrora recorriam a vários artifícios para angariar fundos e realizar as festas, hoje, passam o pires para os já combalidos cofres públicos, na esperança de minimizar custos.

Que o poder público oferte espaço e estrutura para realização de eventos, nada contra, mas daí a financiar empreitadas particulares é outra História.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Laicismo para inglês ver



Durante zapping pelos canais da TV, vi determinada pessoa reafirmando o laicismo vigente no país. O estado brasileiro laico é uma piada. Logo no preâmbulo da Carta Magna se pode ler: Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em [...] promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL [...]. Novamente: se o estado é laico, porque invocar a proteção divina ligada à religião predominante? Porque não Alá, Olorum, Kami ou outras tantas divindades das mais diversas religiões do mundo?

Durante o período eleitoral e a caça ao voto dos indecisos os candidatos lançam mão de todos os ardis necessários para arrebanhá-los. Laicismo é o salvo-conduto para agradar gregos e troianos. Em campanha se contrariam as próprias convicções, embora temporariamente. Os fins justificam os meios, dizem.

Sob o manto da boa vontade, a questão religiosa e temas afins foram tocados e rapidamente o fiel da balança pendeu para um dos lados, o que desencadeou de imediato forte reação da turma do marketing. Em nome do bom-mocismo a reação veio forte, na tentativa de reverter os preciosos pontos perdidos nas pesquisas eleitorais. Afinal a voiz du povu é a voiz de deus.

Melhor seria permanecer a separação de estado e igrejas, instituída em 1890 e consagrada pela Constituição de 1891. Misturar questões políticas com religiosas não é a melhor pedida no momento, cada uma desperta sentimentalismos e exalta ânimos desnecessariamente. Necessitamos conhecer as propostas de cada candidato e não ficar assistindo a embates sobre situações que não acrescentam. Cada um no seu quadrado, sem medo de ser feliz.