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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Salve-se quem puder

O líder de uma seita dos Estados Unidos da América, a Family Radio Worldwide afirma, baseado em dados da numerologia aliados a estudos da bíblia, que o mundo acabará amanhã, 21 de maio.

Segundo devotos da dita, o homi retornará à Terra para reunir os fiéis e levá-los ao paraíso. Aos que ficarem resta sentar com a boca escancarada, cheia dentes, esperando a morte chegar, ou melhor, o fim dos tempos.


Por aqui parece que ninguém deu bola para as profecias do mentecapto, se bem que li aqui sobre sinais que nos fazem pensar que há algo errado no ar.

Será que ainda há tempo para apreciar uma cerva? Como terminará o campeonato brasileiro? Chegaremos ao fim sem ver as lixeiras nas ruas de Esperantina? E o estádio? E o mercado público, a BR 222, a avenida concluída, a ambulância do samu, a ... fim da conexão.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

No meu tempo...




Quando se fala algo assim tem-se a idéia de apropriação do tempo por alguém, mas na realidade é apenas um modo de expressão para limitar e acentuar determinado período da vida do narrador.

Dizem que nos tornamos velhos na medida em que usamos no meu tempo. Mas é que diante de muitos fatos do cotidiano nos deparamos e mesmo chegamos a confrontar atos e atitudes das pessoas de agora com outras de nosso tempo.

Os avanços da modernidade chegam e mudam por completo o cotidiano das pessoas, embora a maioria não perceba, apenas continue a existir.

Senão, vejamos: antes que a internet, videogames e afins invadissem os lares, era comum que a idéia de lazer passasse pelas manhas de sol na beira rio, ponto de encontro prestigiado.

Divertido era cruzar a cidade em uma bike. Hoje a meninada se esbalda sobre motos, para alegria dos donos de postos de combustíveis e de lojas de peças.

Lembro que durante os festivais juninos - sim eles existiam e eram bem mais divertidos – o grupo que ganhava a competição não precisava necessariamente incomodar o resto da cidade com carreatas e sons estrondosos. Predominava a diversão e não a comercialização da cultura;

Conhecíamos detalhes de outras pessoas não pelo perfil do Orkut, que inexistia, mas pelos cadernos de perguntas que passavam de mãos em mãos pela sala de aula;

Se hoje é impensável para a maioria viver sem os famigerados telefones celulares, até algum tempo atrás os espaços ociosos do dia eram preenchidos com leituras, jogos, passeios de bicicleta, bate papo real e até mesmo com a prosaica TV, que era menos apelativa.

Mas enfim, o tal futuro de que tanto ouvíamos falar na infância parece ser apenas isto mesmo: um grande rolo compressor que compacta e destrói o passado, deslocando-se no presente e mirando no futuro.

Não obstante, nem tudo são lágrimas, pois o tal futuro que agora é presente nos permitiu maior acesso à informação, educação, saúde e até mesmo lazer (ainda que diferenciado).

“O passado é o que foi, é a flor que murchou, o sol que se apagou, o cadáver que apodreceu. Lágrimas a ele” (...)   Álvares de Azevedo. Noite na Taverna.