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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Destaque do dia


Imagem: mundocontramao.com

A prefeitura de Esperantina resolveu construir uma pista de motocross às margens do rio Longá. Huuumm. Incentivar a prática do esporte. Sei. E os equipamentos de proteção individual? Não há samu que resista a uma legião de motociclistas kamikases. Onde está a piada? A cidade JÁ É uma pista de motocross, com ruas enlameadas, permeadas por densa vegetação e buracos. A adrenalina corre nas veias a todo instante pelas ruas da cidade. Isso sem contar com o fato de que a localização da pista fica em área inundável no período das chuvas, que está se aproximando e poderá cobrir mais esta obra.

Ótima mesmo foi a afirmação de que para evitar o açoiriamento (sic) a área terá empeçarramento (sic). Eis a solução para o problema que persiste em todo o país: empiçarrar as margens dos rios. Se Teresina tem o Potycabana nós teremos o Longacabando.

Mas a grande surpresa mesmo é que isso tudo será feito ao arrepio da Lei Orgânica Municipal, onde se lê em seu Capítulo VI – Do meio ambiente, Art. 174, VIII – fica preservada a margem do RIO LONGÁ, constituída de 20 (vinte) metros na zona urbana e 50 (cinqüenta) metros na zona rural, sendo vedada a sua utilização para qualquer fim.

Qual parte do artigo citado não foi entendida? Não haveriam outras áreas mais propícias para a construção? É o primeiro a passar por cima das leis municipais? Não. É o último? Também não.

 Será que teremos as ruas tomadas por manifestantes ecologicamente corretos em uma marcha dos indignados? Haverá apitaço? Protestos nas redes sociais, com um #salvemnossorio? Vídeos no youtube? Nadica de nada?

terça-feira, 27 de setembro de 2011


Certo dia foi divulgado em Esperantina que empresários do sul do país estariam comprando terras para plantio de eucalipto. Foi como mexer em vespeiro! Entre os ecologistas-salvadores-da-pátria a grita foi geral em defesa de nossas matas e contra determinado homem público que seria o intermediário dos empresários por estas terras. Tal qual Salman Rushdie, foi determinada uma fatwa contra o infiel antiecológico.
Imagem: codigoflorestal.com

O tempo passa, os ânimos continuam acirrados nos quintais. Daí os tais empresários conseguem uma declaração de instrução de como proceder/prosseguir com seus intentos malditos, desta vez devidamente avalizados. Santo remédio. Os protestos sumiram que nem vendedor de pirulito nos festejos e ninguém mais se atreveu a condenar a devastação de nossas combalidas matas, mas não ficou somente nisso.

Dia desses foi publicada pequena nota em jornal impresso dando conta de que um dos empresários impregnados de enxofre requereu e recebeu licença prévia e de instalação, para uso alternativo dos solos – Plantio de Eucalyptus, no município de Esperantina. Agora tudo legalizado é só começar a ação, sem se preocupar com ecologistas de fim de semana.

Simples assim. Do inferno astral ao céu de brigadeiro e ninguém mais para contestar. A anuência do poder público foi um banho de água fria nos ânimos dos verdinhos, a eles só restando sacar a eco-bag e perambular pelas ruas recolhendo pets para a glamourosa decoração do final de ano.

Devastar sem licença não pode, vai direto para o quinto. Já devastação oficial é outra coisa, como se viu. A licença para uso do solo eliminou todos os impactos ambientais, sociais e o diabo que os carregue que antes prenunciavam o Armageddon.