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Na
Grécia antiga, de acordo com a tradição, o rei
Teseu, unificador da região da Ática (o mesmo Teseu
protagonista da lenda do Minotauro),
organizou a sociedade da área em três classes
principais, a saber: Demiurgi, Geomori e Eupátridas.
No momento me detenho em uma das classes em particular: Os
eupátridas.
Eles consistiam
em um grupo social da Grécia Antiga
detentores de altas posições, constituindo a nobreza da
região da Ática (correspondente a Atenas e regiões
circunvizinhas). Em grego, o termo significa algo como “aqueles bem
nascidos”, ou “os de pais nobres”.
A
classe eupátrida era, dentre todos os habitantes de Atenas e
região, aqueles considerados os habitantes originais, os
descendentes dos primeiros chefes e nobres locais e por isso tiveram
o seu apogeu como classe dominante dos principais centros do mundo
grego. Controlavam a justiça, em especial na sua esfera
administrativa e atuavam como poder público. Isso na chamada
antiguidade clássica.
De
lá para cá muita coisa mudou, mas os bem-nascidos volta
e meia resolvem dar o ar da graça, reacendendo a polêmica
teoria sobre a História cíclica, aquela para qual tudo o que
acontece já havia ocorrido, de alguma forma.
Não
é difícil identificar os bem-nascidos atualmente. Eles
brotam aos borboões no cotidiano e sua bem aventurança
inicia bem cedo, ainda nos primeiros panos, razão pela qual
são assim denominados. Seguem pela vida sem grandes
preocupações comuns ao restante da população,
que se empenha arduamente para conseguir o ganha-pão diário.
Um
bem-nascido é diferente: se vai à escola é para
preencher lacunas e garantir um status social. Quanto ao trabalho, o
grande filósofo grego Platão demonstrou esta visão:
“É próprio de um homem bem-nascido desprezar o
trabalho”.
E mais uma vez o filósofo tinha razão.
O
cidadão que se esforça desde cedo para conseguir
trabalho por vários meios, como o concurso público, por
exemplo, é suplantado pelos bem-nascidos que sempre conseguem
os melhores empregos, as melhores funções, não
por competência resultante de esforços próprios, mas amparados
pela ascendência familiar, tendo como maior arma o dna, reforçado
com o titulo de eleitor.
Por
mais que se esforce, a carreira no funcionalismo público
tem seus martírios, agruras e dissabores para o cidadão
comum, mas que pode muito bem ser adoçada – e assim é –
pela divina intervenção familiar-apadrinhamento em
favor de poucos que sequer tem a preocupação de estudar
e entrar para o serviço público pela porta da frente.
Concorrer
com tais oponentes é como participar de uma corrida, tendo por
adversários pessoas que teriam semelhantes condições
para competir, porém colocadas metros à frente.
A
prática é antiga, mas tem muito futuro. E tenho dito!
Com
informações de:
Enciclopédia Britânica,
11a edição (1910/11), volume
8
http://en.wikipedia.org/wiki/Eupatridae