terça-feira, 15 de novembro de 2016

Ócio e lascívia

Imagem: TripAdvisor.com.br

O Brasil é um país de feriados. São das mais variadas origens: religiosos, pagãos, comerciais, de classes, oportunistas...

Há alguns anos foi instituído que as datas poderiam ser transferidas para o inicio ou final de semana, conforme mais conveniente. Agora somos apresentados ao feriado de ... véspera de feriado! Sim. Já se usou do termo enforcar dia entre um feriado e o descanso semanal, mas agora foi institucionalizada a véspera como feriado. Nada de importante a fazer nestes dias, presume-se.

Mas o que esperar de um país em que o hino nacional tem um trecho que destaca “deitado eternamente em berço esplêndido”? Somente aproveitar os dias no ócio e um pouco mais nas festas entregues à lascívia.

Capistrano de Abreu, citando Antônio Vieira em seu Capítulos da História Colonial dizia que “Finalmente os índios, por sua natural fraqueza e pelo ócio, descanso e liberdade em que se criam, não são capazes de aturar por muito tempo o trabalho em que os portugueses os fazem servir”. Isso no período colonial!

Velhas práticas arraigadas na cultura atualíssima do não fazer. Se possível, deixado para depois – do feriado.

E tenho dito! 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A vaquejada e a turma politicamente correta

Imagem: http://www.bocamaldita.com/

A turma do politicamente correto voltou aos holofotes nos últimos dias por ocasião da proibição das vaquejadas no brasil.

Vaqueiros organizaram manifestações, devidamente organizados pela galera que realmente fatura com o – vá lá – esporte. Por todos os rincões do país estavam lá os senhores, jovens e mesmo crianças fantasiados de vaqueiros, em defesa do ganha pão, muitas vezes único, dependendo da região.

Nesta situação antagônica, vaqueiros de um lado, PC de outro, sobreveio a turma que defende os direitos dos animais. Em nome disso se empenharam em proibir uma prática que aqui remonta ao período da colonização, quando a atividade do vaqueiro era essencial para a sobrevivência de pequenas e grandes fazendas, daí advindo riquezas. Fato é que após tanto tempo de prática da atividade vaquejada, que servia inicialmente para confraternizar a vaqueirama e depois para encher os bolsos de empresários de eventos, alguém descobriu que os animais sofrem durante a realização dos eventos e conseguiram barrar a diversão de muitos.

Particularmente não aprecio vaquejadas, mas não sou contra a realização das mesmas. A galera do bem que fica empolada ao presenciar os tais maus tratos em animais, quaisquer que sejam eles, deve ser formada basicamente de vegetarianos, ou então os mesmos acham que aquele churrasco do fim de semana é de carne criada em laboratório, ou que dá em árvores. O franguinho assado no almoço de domingo se entregou pacificamente ao funcionário da granja para morrer, em nome da refeição das famílias. Que aquelas bistecas surgiram como que por mágica nas prateleiras dos supermercados. Todos estes animais morreram felizes por contribuir com a sobrevivência da humanidade. Viviam livremente pelos campos, alimentando-se do que conseguiam e de repetente se ofereceram em sacrifício para que os PC’s continuassem em suas lidas pela salvação do planeta.

Quanta inocência! O mundo na visão destes iluminados seres deve ser o mais próximo possível daquelas ilustrações que mostram homens e feras convivendo no paraíso. E ainda enchem o peito e saem se achando a última molécula do universo. Quanta utopia!