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quarta-feira, 18 de maio de 2011

A cura pela leitura


Imagem: www.brunolozzidacosta.blogspot.com

O que aconteceu mesmo ao natimorto conselho municipal de combate às drogas? Apesar do nome pomposo, o combate às drogas em Esperantina parece resumido às risíveis faixas com frases de efeito afixadas nos murais oficiais, como se à espera de que os usuários para lá acorressem para ler a faixa, se livrar do vício e saírem caminhando e cantando, seguindo a canção. Por aqui o combate às drogas foi eclipsado pelo combate aos boatos.

Desde a reunião onde se propôs a criação do dito conselho não se ouve falar de ações - sim, ações – do mesmo. Enquanto isso no mundo real as coisas continuam a acontecer. Ou também aqui se minimizará a disseminação do crack, a exemplo do que fez a secretária nacional de políticas sobre drogas, que declarou em entrevista ao jornal Folha de São Paulo “que o governo nunca considerou o crack como uma epidemia” e ainda acrescentou que “isso é uma grande bobagem”?

Se algum dia o conselhão sair do papel, espero que analise bem as propostas de uns bravos em vender a idéia de que o esporte - por si só - é meio para livrar a sociedade das drogas, pois se assim fosse, não veríamos esportistas, alguns de renome internacional, flagrados no consumo de substâncias entorpecentes, basta um esforço na memória para lembrar-se de casos do tipo.

Os grandes projetos humanitários de cunho social e inegavelmente midiático exercem grande impressão na maioria das pessoas, mas tendem a ficar apenas nisso e, para os que crêem, dizem que de boas intenções o inferno está cheio.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Transparência, para quê?



Com a implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal, uma nova ferramenta foi ofertada para auxiliar o povo na difícil tarefa de fiscalizar os gastos do poderes públicos.

A LRF em seu Art. 48, Parágrafo único informa:  A transparência será assegurada também mediante:
       ...
       II – liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público (leia-se internet).

Mas de que adianta tal medida, se a população não demonstra interesse em analisar os balancetes, que ficam entregues às traças porque NINGUÉM quer perder tempo com “besteiras que não dão em nada”? Os poucos munícipes que tem acesso à net preferem desfrutar seu tempo no precioso Orkut e MSN ou em sites de notícias chechelentas e parciais.

Para algumas pessoas a governabilidade é boa se eles recebem os caraminguás sem trabalhar. Para outras, o conceito de felicidade suprema se resume em um cartão de plástico, porta de saída do pomposamente chamado programa de redistribuição de renda.

Estamos mesmo preparados para exercer a tal cidadania? A mentalidade local, ou a falta dela, no caso, tentar fazer crer que a única opção que nos cabe é o aplauso a baboseiras e demagogias, acertos em alguns casos. Se aplaudirmos a tudo somos bons, senão, somos condenados à vala comum dos indesejados.

E a quem interessa essa falta de interesse pelas ações políticas senão a eles próprios? Quem se interessará em propor melhorias por meio de trabalhosos projetos, se basta fazer promessas para cair nas graças da plebe? Pessoas informadas são perigosas, subversivas. Melhor desviar a atenção das massas para banalidades.

quarta-feira, 24 de março de 2010

É chegada a hora



Na última sessão ocorrida na câmara municipal, o poder executivo apresentou um projeto de lei que transfere a responsabilidade do pagamento dos inativos e pensionistas pagos pelo tesouro municipal ao fundo previdenciário do município de Esperantina.

A convalescente previdência municipal, ainda trôpega, está novamente na mira. Com uma herdada dívida a pagar em parcelas a perder de vista, tem se mostrado um ralo para o suado dinheiro do funcionalismo.

Fico imaginando os edis debruçados sobre o malfadado projeto, tentando a todo custo uma explicação plausível para apresentar ao eleitorado, pois o dito tem alta probabilidade de aprovação, em mais um escanteio histórico no povo. Se o quadro que se desenha sobre o assunto – a indiferença – for mantido, como fica a consciência duzomi depois de tantas vezes pregar que “o patrão é o povo” e retribuir a atenção com este projeto?

Qual será a posição do sindicato dos servidores municipais quanto ao projeto? Os membros dos conselhos da previdência foram ouvidos ou continuam apenas a assinar os balancetes, no habitual papel de pingüins de geladeira, a espalhar “inverdades”?

Como a previdência municipal vai pagar aos inativos que nunca contribuíram para ela? A quantidade de pessoas a ser atendidas, de acordo com o projeto, resultará em consideráveis perdas de valores cruelmente arrebatados mensalmente das folhas de pagamento. A pecúnia arrecadada até o momento é um butim que faz crescer os olhos, mas tem dono. Se até o momento há caixa, chegará o momento em que os contribuintes necessitarão utilizá-lo e então...

Ao que interessa então: a grita será geral? Acontecerão passeatas, com apitaços, faixas Abaixo o Capitalismo, terminando com acalorados discursos em defesa dos contribuintes em frente à prefeitura? Parece que não. Outros tempos.

vejamos o perigo: em entrevista ao site http://www.sistemaodia.com, o vice-presidente da APPM, Alcindo Piauilino, afirmou que:

“Os custos com a contribuição previdenciária podem diminuir com a adoção de um sistema próprio”.

Segundo ele, o que muda em um primeiro momento é o valor da alíquota paga pelos municípios. No regime geral, os municípios contribuem com cerca de 23% para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), enquanto em um regime próprio pagam 11%. Tá explicado porque o tal regime próprio é defendido com unhas e dentes?

Segue a fala: “- Em qualquer regime previdenciário novo, a alíquota de contribuição começa pequena. Na medida que [sic] o regime amadurece, a alíquota cresce”, destacou. “Quando os segurados do regime de previdência vão chegando na idade de se aposentar, de solicitar benefícios é que a necessidade de financiamento do regime vai apertando. Por isso, quando se cria um novo regime, geralmente, há uma possibilidade, com algum cálculo atuarial, de se estabelecer uma alíquota reduzida”, explicou.

A recomendação do vice-presidente da APPM é que as prefeituras avaliem a capacidade de gerenciar um sistema de previdência próprio e o comprometimento com as regras de longo prazo da previdência social. “O município precisa avaliar não só a diferença entre as alíquotas de contribuição como também o esforço administrativo”, completou.

Uma salva de palmas. Para todos.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Nunca antes na história desta cidade...

Dia 2 de julho aconteceu reunião de várias autoridades na câmara municipal de Esperantina para a apresentação de projeto para construção de canal que supostamente servirá para evitar as (agora) contínuas enchentes do rio longá. Entre tantas, houve a fala do incensado, onde ele minimizou o trabalho dos ex-gestores, praxe do governismo e exalta – humildemente – as próprias, de contumaz defensor dos fracos e oprimidos.

A iniciativa tem lá seus méritos, porém, esqueceram de comunicar o evento a quem realmente interessa: a população. Estes só tomarão conhecimento do projeto na hora de pagar a conta.

Os presentes demonstram grande interesse em viabilizar o faraônico projeto, que custará a bagatela de 30 milhões de reais (inicialmente, pois sempre há aditamentos para cobrir “despesas extras”, aquelas conhecidas, que tanto nos atormentam e enriquecem escândalos, cada vez mais presentes).

Parece mais óbvio que a quantia e os esforços de todos deveria se voltar para a conclusão de obras já iniciadas, como o tal cais e a construção de galerias. Temo que, pelo fato de que estas são idéias de outros gestores, tais obras nunca sejam concluídas.

Na hora de construir, tudo são vantagens, depois vem a falta de manutenção e uma tragédia para o governo mostrar solidariedade. Acho que já vi isso em algum lugar...

Ante o espanto e encantamento demonstrado diante de tão vultosa quantia destinada ao projeto, os digníssimos nativos presentes cresceram os olhos e esqueceram a parte ambiental, que parece não ter sido levada em questão. Depois, quando o prejuízo à natureza foi irreversível, alguém lembrará desta data e lamentará não ter tomado das devidas precauções. Óbvio e esperado de uma classe que só enxerga o próprio umbigo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

A última

A polêmica em torno do asfaltamento de uma avenida em Esperantina está armada, gregos e troianos se debatem e passam a batata quente de mãos em mãos. Um tímido acalorado debate de faz-de-conta - com direito a comentários sobre acordos não-republicanos firmados nos bastidores – foi realizado, sem que o real problema fosse elucidado: porque a cidade não é uma enorme pista de patinação?

Projetos grandiosos não faltaram e nem faltarão. Diferentes esferas do poder mediram forças, trocaram farpas, nadaram, nadaram e morreram na praia. Desconfio que a culpa e a conta, porque não, ficarão com a plebe, como sempre.

Mais importante que ficar neste empurra-empurra, seria cuidar do que ainda resta de asfalto nas ruas. A situação chegou ao ponto em que o motorista pode optar em qual buraco cair: aqueles com lama ou os cheios de água. Enquanto esta dúvida filosófica nos atormenta, um grupo de crianças sai às ruas fazendo as vezes de fiscais do trânsito, devidamente acompanhados pelos agentes da lei. Estão cobrando os retrovisores das motos. Beleza. Mas como olhar para trás se o perigo é o veículo/buraco à frente? Próxima campanha com novas faixas (quem paga por elas?) deve cobrar as borrachas dos pedais, igualmente importantes para um bom fluxo de veículos.

Eis a saída: educação no trânsito. Pouco importa se não há sinalização decente nas ruas ou se as mesmas são uma réplica da Guernica pós-bombardeio.

Na boa: as crianças deste projeto deveriam atuar principalmente nas escolas, de onde saem os imberbes que, ao contrário do que hoje fazem, pilotando seus bólidos, deveriam ainda guiar velocípedes. Mas fazer o que, se os papais acéfalos responsáveis destes precoces pilotos têm grana para comprar veículos e ainda por cima tem altos contatos nesta república babaçueira?