Mostrando postagens com marcador ignorância. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ignorância. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Usura: de pecado a credencial de cidadania

Imagem: www2.uefs.br

Na idade média o praticante da usura era criticado hipocritamente e condenado nos sermões da poderosa igreja católica, onde se dizia que o diabo se apoderara dele. A usura entre os cristãos era condenada através dos tribunais eclesiásticos, cabendo a Deus puni-los com a danação. Ainda segundo ela, os usurários são enterrados com seu dinheiro amarrado no pescoço e os demônios vem infernizá-lo no túmulo, antes de leva-lo ao inferno, destino de todos eles.

O tempo passa e agora, em plena Idade Contemporânea eis que o personagem antes demonizado ressurge na História com novos ares, novas possibilidades, posando de salvador da pátria (ou município, sabe-se lá).

O fato é que Cocal City tem vivido um boom imobiliário de fazer inveja a muitos municípios de grande porte país afora. O antes endemoniado usurário ressurgiu e pode estar ao seu lado no trabalho ou mesmo na mesa de um barzinho no final de semana, sempre à espreita e – sabe-se agora – bastante interessado nos destinos do município, já há uns bons anos.

As consequências disso já são do conhecimento de boa parte da população, dada a vistosa atuação dos mesmos nos bastidores das últimas contendas eleitorais. O fato é que agora parecem ter tomado gosto pelo tema e preparam voos mais altos, mais uma vez às custas da ignorância da maioria de maria-vai-com-as-outras, que sempre se deixam impressionar pelas posses dos pretensos novos salvadores da urbe, deixando que o tempo e os consequentes processos se ocupem de demonstrar se os mesmos têm capacidade para exercer obrigações políticas.

E tenho dito!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Um minuto de silêncio

Tem início a temporada de festas juninas e aqui em Esperantina os preparativos já podem ser notados. Bom seria se tivéssemos apresentações de grupos folclóricos, na plena acepção da palavra e não grupos comerciais disputando entre si e, particularmente aqui, onde a disputa se resume na verdade em uma dualidade. Sempre os mesmos grupos se esgoelam em intermináveis gritos de “hey”, em uma mistura de transe carnavalesco, baile à fantasia e com sorte, quadrilha junina.

Quem se dá à tarefa ingrata de assistir a um dos incontáveis festivais juninos pode assistir à primeira apresentação e ir embora, pois as demais da noite seguem o mesmo padrão: entra uma comissão de frente encenando algo grotesco ao som de CD com gravação da voz de um locutor engasgado com pão, narrando histórias nem sempre pautadas pela realidade. Logo após, os passistas entram em formação e se apresentam em coreografia pobre e repetitiva. Algumas usam fogos para desviar a atenção de possíveis erros. Pronto. Até o próximo ano.

E as tradicionais quadrilhas juninas? Foram largadas ao ostracismo, não se adequaram aos tempos modernos. A alegria de encenar o dia-a-dia do mundo caipira foi deixada pra trás. Deve ser porque o caipira, aquele lá das brenhas, com calça rasgada e cigarro de palha foi substituído pelo peão de obra com bermudão e óculos de feira que fala “lá em Sampa é assim, mano”.

O que fica dos antigos festivais juninos é justamente a única coisa que não deveria: o festival de postuguêis mal dizido. Algumas pessoas ficam bem a vontade neste período, pois não precisam esconder as origens e qualquer escorregão no português é desculpado pela tradição caipira.

Fico desolado quando leio convites para assistir aos arraiás, onde os cumpadis e cumadis se vestem de moda tradicioná. Uma verdadeira celebração da ignorância que fascina populistas e extasia demagogos.

De minha parte, prefiro fazer um minuto de silêncio a soltar rojões e pular a fogueira da alienação.