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domingo, 30 de junho de 2019

Habemus Festa

Imagem: Arquivo do Blog.


A cidade está prestes a realizar mais uma edição do evento-vitrine da administração: a festa do peixe. Serão 3 dias de muita exposição para a imprensa, vitrine para os nomes que se lançam ao campo político.  A festa é do peixe, mas se pescam pessoas.

O evento ainda não teve o local divulgado, mas presume-se que seja no mesmo do ano anterior, por ser o menos esburacado, enlameado e com um pouco mais de iluminação. Apesar da proximidade da faixa de Gaza, o evento contará com segurança reforçada, pois registros negativos afastam eleit... digo, simpatizantes.

Desta vez o marketing inovou e resolveram acrescentar às chamadas publicitárias, além da festa, a feira de negócios, tão criticada principalmente no evento passado, onde a demanda era mais por atrações musicais e desfile de autoridades que propriamente a venda de peixes, embora muitos foram aqueles que “venderam seu peixe”, popularmente falando.

Pensada inicialmente também como forma de expandir os negócios da piscicultura local, o evento segue sem maiores cuidados como a realização de estudos de impacto ambiental nas propriedades (ou cursos d’água) onde se pratique a piscicultura e nem mesmo uma prosaica fiscalização sobre as rações dadas aos peixes, tendo em vista que os subprodutos de uma ração barata e que gere lucros mais rápido podem afetar enormemente a saúde pública.

E o restante da cidade, como fica? Depois da festa se pensa em algo, um pouco de farelo aos pombos. Mas a verdade cristalina como cajuína será a mesma: a cidade permanecerá refém das promessas de sempre, insegura como sempre, esburacada como sempre, enlameada como sempre...

E tenho dito!

domingo, 28 de abril de 2019

O clássico e a realidade

Imagem: www.kdfrases.com


O que faz um autor ou uma obra ser classificada como clássica? Sua importância no momento que retrata e sua permanência nos anos vindouros. Com a frase da imagem, logo se vê a atualidade da mesma. Isso faz de rui Barbosa um autor clássico, entre tantas obras suas. A verdade de suas palavras ecoa desde então até os dias de hoje, sempre atuais.

De tanto ver crescer a injustiça...quantos cidadãos procuraram nos concursos públicos uma oportunidade de conseguir estabilidade financeira, dedicando horas de estudos, privação de diversão, esforços concentrados, passar no concurso e começa a trabalhar. Após alguns anos, com a competência adquirida no trabalho, almeja um degrau a mais, mas vê essa oportunidade ser abarcada por um outro alguém, cujo único esforço foi mostrar um título de eleitor, uma filiação partidária ou simplesmente balançar uma bandeira no período oportuno. É o momento de reavaliar se todo o esforço vale a pena; se aquelas horas a mais, dedicadas ao trabalho na esperança de aprender um pouco mais realmente valeu a pena; se o prosaico fiel cumprimento de carga horária foi o melhor a ser feito, enquanto seus “companheiros” zombam de seus esforços ao criar para si o privilégio de chegar e sair quando bem entendem. Dedique-se e cresça, dizem. Em um mundo paralelo talvez isso aconteça, mas neste tempo, no meio do balcão de negócios que nos metemos, as chances de ascender por mérito praticamente não existem.

O homem chega a ter vergonha de ser honesto... sim, vergonha. O sonho de uma vida se desfazendo, tudo por não se deixar levar pelo modo fácil de prosperar. Ao lado, aqueles “bem-nascidos”, beneficiários das más práticas regalam-se nas doçuras da vida fácil, conseguida pelas amizades e conjecturas políticas. Cedo ou tarde, se saberá do que derivará essa momentânea felicidade, um inquérito infindável ou o mofo de uma gaveta qualquer.

E tenho dito!