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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Esperantina S/A - parte I

Imagem: Arquivo do Blog.

Um passeio pelas vielas da cidade que aspira um lugar entre as grandes e, se não for atropelado, ao cidadão é possível ver o lento processo de privatização por que passa a cidade de Esperantina. Cada dia menos estado.

A principal avenida da cidade foi lentamente se transformando. De local para caminhadas, o processo iniciou com a construção de casinhas de pombo no meio do passeio, com finalidades comerciais, inicialmente vendas de artesanatos, serviços de xérox e outros. Não demorou e alguém teve a brilhante ideia de instalar uma novidade na cidade: um barzinho. Sim, um barzinho bem no meio da avenida, local onde os pedestres foram expulsos. Com o passar do tempo e com o aumento da clientela, os bares foram ampliados por meio de tendas que passam a ocupar ainda mais espaço. Não contentes, resolveram que ainda havia espaço demais para os pedestres e passaram a dispor mesas nas adjacências.  Ainda tem os sem noção que estacionam seus veículos nos retornos da avenida e outros pequenos delitos que fazem do Código de Posturas do Município apenas mais um bloco de papel a ser esquecido nas gavetas.

Incrível mesmo. Os bares no meio do passeio da avenida vendendo bebidas e assemelhados, atrapalhando a passagem de pedestres, que, se quiserem se deslocar pelo passeio, necessitam se desviar dos braseiros, das mesas, dos clientes ébrios. E tudo isso não é feito às escondidas, nos bairros mais distantes e abandonados. Essas barbaridades acontecem na principal avenida da cidade, aos olhos de quem se atreve a olhar. E não adianta recorrer aos setores competentes, seria perda de tempo e mais uma decepção ao ser solenemente ignorado e visto como alguém com pretensões eleitoreiras ou simplesmente um chato sem mais o que fazer.

E quem seria responsável por zelar pela cidade? Silêncio; e a imprensa combativa? Ocupada em grandes questões da humanidade. Que dividendos a atividade gera aos cofres públicos? Por onde andam as autoridades da área? Não seria de bom alvitre retirar o fumê de seus veículos?

E a plebe? Ainda aguardando a hora das urnas para mudar tudo isso que está ai (e sempre esteve)? Aguardam o próximo Grande timoneiro? Silêncio sepulcral.

E tenho dito!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Visão além do alcance


Imagem: afternonsense.blogspot.com

Além de Cultura aos borbotões, a partir de hoje até sexta-feira teremos ações da justiça itinerante na cidade. Fabuloso, não é a primeira vez que o esforço vem de fora. E o que mais de itinerante teremos pela frente não sabemos, mas bem que... deixa pra lá.

A cidade passa por transformações. Ninguém anda mais em moto sem o capacete na frente da delegacia; ninguém de passagem pela cidade deixa de notar o esplendoroso asfalto da avenida principal, em especial o apêndice da avenida com seu belo e arrojado jardim de plantas raras. E o que dizer das lindas casinhas de pombo localizadas no passeio da avenida, que atrapalham os pedestres e ao mesmo tempo mostram o que de melhor há por aqui, os bares, pois não foi para isso que as construíram? Dizem que, quem bebe da água de Esperantina não esquece jamais, quem se suja com sua lama também não.

Se os populares terão chances de ficar ricos daqui a alguns dias, como divulgado, espero que reservem parte do espólio para construir casas e não mais caixas de morar. E se a riqueza vem ao cidadão, com ela aumentará a arrecadação e não custa lembrar será uma boa oportunidade para a construção de monumentos ou o que quer que seja para tirar da cachoeira do urubu a condição de única referência apresentável do município, apesar das churrascarias da vida.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cidade sem memória

Fotos: Arquivo Pessoal


O centro velho de Esperantina ficou menos histórico com a demolição do cassino, cujas histórias e fausto permanecem na memória daqueles que o freqüentaram no período áureo.

Se no período de sua demolição já se contavam décadas de desuso de suas instalações, o mesmo não se poderia dizer dos bares localizados no andar térreo. Quanta alegria, comemorações, brigas, jogatina e libertinagem em Esperantina tiveram aqueles barzinhos como cenário.

Nas lembranças ficaram as imagens do agito dos freqüentadores na época dos festejos religiosos, o barulho produzidos nos mesmos, que por vezes disputavam quem tinha o mais potente aparelho de som; as reclamações dos religiosos pelo barulho durante as missas e, sobretudo, ficam na lembrança as imagens de quem conheceu os personagens quase folclóricos que eram presença constante naquele minúsculo, porém disputado espaço urbano.

Hoje o que temos no lugar são apenas ruínas que insistem em lutar contra o esquecimento e abandono, compenetradas testemunhas que são de um rico período que não retorna.

Que sádicos propósitos se escondem no abandono daquele ponto? A demolição que se seguiu logo após a troca de proprietários continua inexplicável. Porque demolir histórica construção somente para abandoná-la depois?

A foto acima mostra o que resta dos antigos “bares da igreja”, como eram conhecidos. Note-se a abertura de buraco no antigo portal. O que esperar depois de tal situação? Com certeza a abertura será de alguma utilidade em horários menos movimentados, para práticas as mais diversas possíveis.

Sem leis que protejam o patrimônio municipal, a memória da cidade de Esperantina parece condenada a desaparecer lentamente, junto com as poucas testemunhas oculares que ainda vislumbram em suas mentes os memoráveis momentos desfrutados naquelas dependências.