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Imagem: Arquivo do Blog. |
A cidade que hoje aniversaria é a terra prometida da seara
política. Aqui, “em se plantando, tudo dá” reza a lenda e a ladainha. Aspirante
a cidade turística, a cada dia o patrimônio natural se decompõe a olhos vistos,
sem que algo mais efetivo seja feito além de prosaicas manifestações isoladas e
o pires repassado de mãos em mãos nas esferas do poder; as festas se
relativizam ao lugar comum da mesmice. Alardeada como centro comercial da
região, a duras penas a atividade resiste por méritos próprios, sufocada pelo
tributarismo famélico e baixa renda local, dominada pelas esmolas oficiais.
Aforismos a parte, vivemos o eterno ciclo do crescimento, do
“agora vai”, desde que o aglomerado de casas passou a ser denominado de cidade.
Já vivemos o oba-oba na área da agricultura, irrigada ou não; da criação de
gado; criação de frangos e nos resta a piscicultura, que segue alegrando a
população com suas festividades anuais subsidiadas pelo erário. São tantas as
possibilidades com a nova cultura, que há de se pensar: porque não começamos
antes a criar peixes? São prometidos tanto desenvolvimento e oportunidades de
negócio na área que...que... a terra da oportunidade é aqui, dizem. A renda
gerada nos dias de festival de tambaquis foi centrada nos dias do evento para
voltar à calmaria desde então. Rodadas de negociações voltadas ao
desenvolvimento da cadeia de produção/comercialização lembram a história dos
ovnis’s: dizem que existem, mas ninguém vê.
Tudo isso sem mencionar o fato de que a piscicultura, como
praticada por estas terras, sem um mínimo de fiscalização é danosa ao meio
ambiente, pois em nome de um progresso de poucos, poços que deveriam abastecer residências,
são perfurados para favorecer a piscicultura. Riachos foram represados e outros
aterrados, para dar lugar aos tanques escavados. Tudo isso ao arrepio da lei,
pois inexiste órgão fiscalizador no município e sequer se menciona estes fatos
degradantes nas mesas de negociação, nas festas subsidiadas. A quem interessa
tudo isso? Os efeitos de tudo isso serão percebidos a longo prazo, quando será
bem tarde para fazer campanhas piegas e atrapalhar o trânsito com marchas inúteis,
permeadas de cartazes com frases de efeito.
E assim a história do município ganha mais um capítulo de
desenvolvimento tipo voo de galinha, até que se encontre outro nicho para
crescimento, que mudará tudo outra vez, como sempre.
E tenho dito!