terça-feira, 29 de novembro de 2016

O golpe de misericórdia no combalido patrimônio público municipal

A próxima vítima?
Imagem: Arquivo do Blog. 

A notícia tomou as manchetes da cidade. Da internet à barbearia. Do bar da esquina ao salão. Muito se comenta sobre a suposta doação da escola mais antiga do município para que seja convertida em novo fórum da cidade.

Seria muito inovador e prática tal ação, não fosse o beneficiário um poder que esbanja saúde financeira e o doador uma instituição que, se de um lado doa um bem que lhe pertence, por outro tenta a posse de outro, bem equipado, dessa vez de outro ente.

Mas porque doar uma escola? Se for pela pouca demanda do alunado, porque cargas d’água não aproveitar a estrutura da escola para abrigar secretarias e anexos, que hoje funcionam em prédios alugados? Se doa com mão grande e se gasta com mão grande.

A cidade não apresenta mais prédios históricos, sejam eles públicos ou não, e o último representante de um passado que deveria orgulhar a cidade será entregue ao judiciário, sem mais delongas? Que tipo de história será registrada para futuras gerações? Que é cultura para o município: festivais juninos, carnavais fora de época, festejos religiosos? Os prédios históricos de uma cidade e a conservação destes dizem muito a respeito da história do município e de seus habitantes. A cultura que aqui temos é a da destruição. Já foram destruídos os mais antigos e simbólicos edifícios da sede municipal.

Apenas com exemplo se deve lembrar do antigo cassino, obra de particular, vendido e destruído por particular, aos olhos estupefatos da população com algum senso de patrimônio histórico e tradições. Logo após a demolição do mesmo para se tornar um expressivo terreno baldio, foi criado e pomposamente aprovado projeto de lei criando o natimorto Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico de Esperantina, que nunca saiu do papel. Aquele era um prédio histórico que representava muito o passado, mas, juntamente com tijolos, telhas, madeira e costumes, veio abaixo, hoje fazendo parte apenas da memória daqueles que o conheceram. O que hora se propõe representará o esquecimento de parte de nossa identidade cultural e esquecer nossa cultura é esquecer quem somos.

Agora, o golpe de misericórdia será dado, não de forma inesperada, mas com data e hora marcada, devidamente comunicado e solenemente ignorado.

E tenho dito!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Ócio e lascívia

Imagem: TripAdvisor.com.br

O Brasil é um país de feriados. São das mais variadas origens: religiosos, pagãos, comerciais, de classes, oportunistas...

Há alguns anos foi instituído que as datas poderiam ser transferidas para o inicio ou final de semana, conforme mais conveniente. Agora somos apresentados ao feriado de ... véspera de feriado! Sim. Já se usou do termo enforcar dia entre um feriado e o descanso semanal, mas agora foi institucionalizada a véspera como feriado. Nada de importante a fazer nestes dias, presume-se.

Mas o que esperar de um país em que o hino nacional tem um trecho que destaca “deitado eternamente em berço esplêndido”? Somente aproveitar os dias no ócio e um pouco mais nas festas entregues à lascívia.

Capistrano de Abreu, citando Antônio Vieira em seu Capítulos da História Colonial dizia que “Finalmente os índios, por sua natural fraqueza e pelo ócio, descanso e liberdade em que se criam, não são capazes de aturar por muito tempo o trabalho em que os portugueses os fazem servir”. Isso no período colonial!

Velhas práticas arraigadas na cultura atualíssima do não fazer. Se possível, deixado para depois – do feriado.

E tenho dito!