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A próxima vítima? Imagem: Arquivo do Blog. |
A notícia tomou as manchetes da cidade. Da internet à
barbearia. Do bar da esquina ao salão. Muito se comenta sobre a suposta doação
da escola mais antiga do município para que seja convertida em novo fórum da
cidade.
Seria muito inovador e prática tal ação, não fosse o
beneficiário um poder que esbanja saúde financeira e o
doador uma instituição que, se de um lado doa um bem que lhe pertence, por
outro tenta a posse de outro, bem equipado, dessa vez de outro ente.
Mas porque doar uma escola? Se for pela pouca demanda do
alunado, porque cargas d’água não aproveitar a estrutura da escola para abrigar
secretarias e anexos, que hoje funcionam em prédios alugados? Se doa com mão grande e se
gasta com mão grande.
A cidade não apresenta mais prédios históricos, sejam eles
públicos ou não, e o último representante de um passado que deveria orgulhar a
cidade será entregue ao judiciário, sem mais delongas? Que tipo de história
será registrada para futuras gerações? Que é cultura para o município:
festivais juninos, carnavais fora de época, festejos religiosos? Os prédios históricos
de uma cidade e a conservação destes dizem muito a respeito da história do
município e de seus habitantes. A cultura que aqui temos é a da destruição. Já
foram destruídos os mais antigos e simbólicos edifícios da sede municipal.
Apenas com exemplo se deve lembrar do antigo cassino, obra
de particular, vendido e destruído por particular, aos olhos estupefatos da
população com algum senso de patrimônio histórico e tradições. Logo após a
demolição do mesmo para se tornar um expressivo terreno baldio, foi criado e pomposamente
aprovado projeto de lei criando o natimorto Conselho de Preservação do
Patrimônio Histórico de Esperantina, que nunca saiu do papel. Aquele era um prédio
histórico que representava muito o passado, mas, juntamente com tijolos,
telhas, madeira e costumes, veio abaixo, hoje fazendo parte apenas da memória
daqueles que o conheceram. O que hora se propõe representará o esquecimento de
parte de nossa identidade cultural e esquecer nossa cultura é esquecer quem
somos.
Agora, o golpe de misericórdia será dado, não de forma
inesperada, mas com data e hora marcada, devidamente comunicado e solenemente
ignorado.
E tenho dito!