Sai cedo pra trabalhar. Pois é, nem todos vivem de benesses esmolas
oficiais. A rua pareceu estranha. Totalmente limpa. Veículos trafegando
normalmente, em ordem como nunca visto antes por estas terras.
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Imagem: Arquivo do Blog. |
Finalmente alguém acordou para o óbvio. Fiscais devem ter
trabalhado duro para finalmente desimpedir as calçadas em frente aos comércios,
antes sempre atulhadas de mercadorias e veículos. Até mesmo a onipresente lama
apodrecida desapareceu das ruas, que aliás, foi possível verificar que está
sinalizada em boa parte do centro e as pessoas passaram a atender ao que elas
indicam, como aquela que adverte aos condutores de veículos para estacionar
somente de um lado das ruas, por serem estreitas e afeitas ao trânsito de
cavalos. Até o caminhão do lixo voltou a contar com aviso sonoro para que todos
possam se adiantar e transportar as lixeiras para os pontos de coleta.
Novos tempos, mesmo. Não fosse a grande quantidade de veículos
adesivados com imagens estranhas – que dizem as más línguas, representam
candidatos – podia jurar que estava em outra cidade e não em Cocal City.
Continuando o trajeto, minha atenção volta-se para um
barulho azucrinante, bem próximo. Procuro a fonte do barulho e não encontro. Sei
que não podem ser os famigerados carros de propaganda volante, pois os mesmos
foram regulados por uma atuante secretaria municipal a operar dentro de
limites. Então de onde viria o barulho agora mais alto e irritante?
Começo a procura pela fonte deste incômodo mas não vejo. Nos
comércios varejistas também não pode ser, pois também eles tiveram suas
atividades reguladas em lei. O barulho fica mais alto, cada vez mais alto... a irritação
aumenta, procuro insistentemente e de repente... bip, bip, bip...acordo com o
barulho do despertador.
Então foi tudo um sonho? A cidade continua intocável em seu
inabalável desleixo? Melhor dormir novamente.