No ano de 2009 a emenda constitucional
nº 58 foi promulgada pelo congresso nacional, para a alegria de uma parcela da
população que se dedica à vida política e suas regalias. A partir de então,
municípios poderão aumentar o número de vagas para as câmaras municipais, desde
que observados os limites populacionais. Esperantina, a saber, passou a ter o
direito – mas não a obrigação - de eleger 13 vereadores.
Como
na maioria das vezes, em se tratando de matéria política, o assunto ficou
relegado ao meio político e a população em geral apenas absorveu mais este
golpe, sem nada dizer. Em algumas cidades do país a coisa não transcorreu tão frouxa
como aqui. Em cidades como Ribeirão Preto, para citar somente um exemplo, a
população foi às ruas e onde mais foi preciso para manifestar contrariedade a
essa medida e o número de vereadores, que deveria aumentar dos atuais 20 para
27, foi aumentado em apenas mais 2. Isso em uma cidade com IDH bem mais humano
que a nossa Esperantina.
E por aqui, o que aconteceu? Nada.
A nova lei foi vista como uma nova janela para que mais pessoas interessadas no
bem-estar coletivo possam ter assento na desejada casa do povo. Não vejo como
13 cidadãos possam fazer mais que os atuais 9 não resolvam, ressalvadas as
limitações óbvias. Muitos dizem que não haverá mais gastos com o incremento no número
de edis, visto que os valores repassados continuarão nos mesmos percentuais,
mas esse é um discurso reducionista, que se atém apenas aos salários. E se não fará
diferença mesmo na questão dos gastos, porque aumentar a quantidade de
defensores do povo? A cidade clama por melhores serviços ou somente serviços,
qualidade e não quantidade.
Enquanto o erário despende
recursos preciosos para sustentar a precária prestação de serviços, assistimos a
agonia de uma entidade – esta sim, de relevância para a cidade – agonizar,
definhando na sua luta por melhores condições de vida e ações de cidadania para
pequenos cidadãos esperantinenses por falta de recursos que por direito são seus.
Eis o ponto: enquanto a entidade AMARE corre o risco de fechar as portas e encerrar
oportunidades, muitas vezes as únicas, para centenas de crianças da cidade, a
verba que poderia ser muitíssimo melhor empregada na entidade regará o jardim
de oportunidades da edilidade local a partir do ano de 2013. E o clamor das
ruas? Nada. Continuaremos nos cochichos de mesa de bar e falatórios na esquina.
Chega a ser ridículo se
analisarmos a situação e vermos que a maior ajuda que a AMARE pode contar vem de
muito longe de nossa cidade, de pessoas que desinteressadamente dedicam tempo e
despendem recursos particulares para dar melhores condições de vida a outros
que sequer conhecem, mas que lamentavelmente são alijados de seus direitos mais
elementares e que infelizmente são vítimas de um sistema cruel que atua graciosamente
em benefício de poucos e mal e porcamente em detrimento da maioria. Por onde
andam nossos cidadãos, que se orgulham dos carrões e da esbórnia nas incontáveis
festas locais? Continuarão deitados eternamente em berço esplêndido, aguardando
o tal espírito natalino para poder ajudar? Pobres mentes dementes que limitam a vigiar o próprio umbigo.
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Imagem: leiturasdecris.blogspot.com |