quinta-feira, 28 de julho de 2016

A política da miséria

Imagem: Arquivo do Blog.

É aquela que se satisfaz em dar aos poucos o que almeja a plebe, sempre ávida em elevar a moral da chefia sem nada contestar. Dar milho aos pombos. A ideia é que se “todas” as benesses forem concedidas rapidamente, a população esquece rápido e então... tchau projeto de poder.

“Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, é fazê-lo de uma vez só.” Ensinava Maquiavel.

Os inebriados pelo poder se enchem de orgulho alheio para alardear aos quatro cantos da cidade os feitios de quem melhor lhes convém. Malandramente ocultam o inegável fato de que, quando se ocupa cargo eletivo de qualquer natureza se deve cumprir obrigações, não fazendo favor algum se porventura cumprir qualquer delas. E coitados daqueles que se resignam em assimilar tudo o que leem nas redes sociais.


Fato interessante é que a História é cíclica: sempre avança e retorna ao mesmo ponto, fatos de hoje já aconteceram no passado, repetidamente, em períodos esparsos. Geralmente “a grande obra” ou o conjunto delas ocorre em períodos de grande concentração de pessoas, para dar maior visibilidade aos feitos, cantados em versa e prosa pelo séquito de puxa-sacos servis plantonistas. Levada desta forma, a vida citadina se torna vagarosa e cheias de ápices e declives ao sabor das boas vontades e anseios de uma minoria que sempre dá um jeito de colher os frutos das “boas ações”, perpetuando-se no poder ou almejando isso apenas.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Um passo à frente, dois para trás

Ao largo do majestoso período de inaugurações o processo de favelização da cidade prossegue a todo vapor. Não demora e até as barracas invasoras serão pintadas de resplandecente cal. A pá de cal vem depois.
Imagem cedida. Fotógrafo: Danilo Marques.

Na foto se vê barracas (já retiradas) em pleno passeio da principal avenida da cidade, em claro exemplo de desprezo pelo natimorto Código de Posturas do município. Sim, ele existe. Abandonado e relegado ao fundo mais escuro de uma gaveta qualquer.

A turma do contracheque fica estarrecida ao ser indagada sobre a imoralidade que representa tal desrespeito. Quem se atreve a questionar a favelização lenta e gradual da cidade é taxado de opositor, revoltado e uma miríade de outros impropérios, típicos de borra botas a soldo. Uma cidade que não respeita as próprias leis não tem muito o que oferecer e nem cobrar de seus cidadãos.

O centro da cidade apresenta ruas onde os comerciantes se apropriaram das calçadas, fazendo destas uma extensão de suas gondolas, usam-nas ainda como estacionamento e depósito de materiais diversos. Tudo isso exposto aos olhos relapsos de quem deveria zelar pelo bom funcionamento das normas de urbanidade. A praça principal foi loteada para bem atender comerciantes, que enfeiam o local com seus estabelecimentos instalados de qualquer forma, prejudicando a já nauseabunda estética urbana disponível. Que venham as promessas de mudanças.


E tenho dito!