terça-feira, 1 de novembro de 2011

Toque de Midas



Segundo a mitologia grega, Midas recebeu de Baco – deus do vinho, o poder de transformar em ouro tudo o que tocasse. Satisfeito, o rei Midas começou a transformar todos os objetos ao redor em ouro, mas após a empolgação inicial, verificou que também a comida em que tocava virava ouro. A morte por inanição parecia seu destino, ante a existência de tal poder, que agora passara a detestar. Tomado de arrependimento implorou a Baco que o livrasse de tão grave e certa morte, no que foi atendido, passando desde então a ser seguido de Pã – deus dos bosques e a levar uma vida mais simples, sem ânsias de riquezas.

Como dizem que a vida imita a arte, também temos o Midas dos cocais, aquele que transforma tudo ao redor em ouro, às vezes mesmo sem tocar. Problemas resolvidos pela metade, quando resolvidos, entram para o rol de realizações do ser mitológico, não importando se o dito teve ou não participação. As pessoas deverem correr léguas para segui-lo, beber suas projeções sedentos como náufragos, afinal ele é A alternativa para corrigir o sistema que está aí.

Não importa o que faça, em qual setor atue. Sempre foi, é e será o melhor. Nada é suficientemente bom até que o mitológico entre em ação. Mestre das confabulações, para tudo tem explicação e as melhores idéias para chegar ao poder jorram de sua mente como água na avenida. Se vence é o destino e se perde é tudo coisa do poderosos que não querem o desenvolvimento da cidade.

Felizmente a natureza não dá asas às cobras.

Em tempo

Imagem: Arquivo


Por que cargas d’água os proprietários de veículos aplicam película fumê e acham que temos a obrigação de reconhecê-los pelas ruas?

Por que os cantores gospel executam suas canções olhando para o alto? Tem platéia no teto?

Se os carros de propaganda volante percorrem a maioria das ruas da cidade, por que o som é tão alto?

Se existe um estacionamento construído com recursos públicos na cidade, por que os carros que fazem transporte local e intermunicipal continuam estacionando nas ruas?

Por que o funcionalismo público em geral não recebe a mesma atenção que os professores na concessão de bônus salarial pela passagem de data comemorativa própria? Isonomia é isso?