sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dia do servidor público



Alvo do anedotário popular como símbolo da ineficiência, o servidor público é o pobre diabo encarregado de mover e fazer funcionar a máquina pública. Com altos ou míseros salários ele está lá, todos os dias, trabalhando em prol da comunidade, fazendo seu serviço para outros colherem os louros por eles. Tá bom, alguns nem tanto assim.

Ainda visto com bons olhos por boa parte da população pela estabilidade e perspectiva de aposentadoria, a carreira ou mais especificamente o servidor sofre com uma praga que corrói e mina seus esforços diários: o servidor indicado, aquele que, ao contrário da maioria que rala e estuda para conquistar uma vaga, apenas apresenta o título de eleitor para conseguir trabalho. Funciona assim como uma inexigibilidade de licitação, quando o serviço ou prestador dele é escolhido por ser imprescindível e sem concorrentes à altura. Não raras vezes os não efetivos têm maiores oportunidades até que o funcionário de carreira, por contar com a simpatia e proteção de quem os indica.

O servidor público é tão irrelevante a certos olhos que no dia dedicado a homenageá-lo ele não receberá um abono, diferentemente do que aconteceu com a classe dos professores no seu dia, quando foi decidido que não haveria gastos com festa, o dinheiro para tal seria revertido sob a forma de abono salarial. Não. Com o funcionário público a cantiga conversa é outra. E N-I-N-G-U-É-M abriu o bico para se pronunciar neste caso. N-I-N-G-U-É-M sugeriu alternativas.

Como se não bastasse o trabalho rotineiro, no dia dedicado a ele as atividades alusivas à data iniciam às 5:30 da manhã com caminhada, se estendem por palestras e somente às 9:00 vem o café da manhã, hora em que possivelmente muitos já estarão mais fracos que choque de lanterna. Não, obrigado. Se caminhar faz bem à saúde, que caminhem os doentes, já disse o sábio. Geladinha que é bom nem pensar, né?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Hora de despertar

Imagem: daniswords.wordpress.com

Hora de despertar do conformismo que assenhorou-se de Esperantina. Sejamos a revolução que queremos.

Apesar dos pesares ainda consigo ficar pasmo ante o conformismo proclamado por muitos cidadãos, que na primeira oportunidade o expressam como forma de não incomodar ninguém ou mesmo para não ser tomados por rebeldes, preferindo assim a vida de gado, entregando-se à velha prática corriqueira do disse-me-disse nas esquinas e mesas de bar.

O conformismo em sua forma pura pode ser notado em diversos aspectos da vida local, como por exemplo, na falta d’água já histórica na zona rural durante o período seco. Muitos se limitam a dizer que é assim mesmo desde que me entendo por gente e fica por isso mesmo. No máximo reúnem a associação de moradores e mendigam ajuda, que por vezes chega nos quadriênios em que a vida dos cidadãos fica interessante a determinado grupo de pessoas.

A falta de planejamento urbano é outro caso em que o conformismo faz vítimas, ao baixar a cabeça e se conformar com o que a natureza impõe, como se a intervenção do homem no meio não fosse capaz de mudar a paisagem ou pelo menos criar adaptações a ela, como no episódio dos embaraçantes alagamentos que ocorrem periodicamente em determinados bairros da cidade onde basta uma chuva mais forte para relembrar o muito que falta para melhorar. O conformismo reduz o homem à condição de simples passageiro pela vida e não de ser vivente e pensante como deveria.

Aceitar a tudo que há de malfeito apenas pelo fato de não querer se indispor com autoridades ou por servilismo é o maior e pior exemplo de conformismo, que relega ao ostracismo o porvir. Jamais se registrou na história do mundo exemplos de sucesso em locais infectados pelo conformismo. O sonho da grande Esperantina tropeça na falta de combatividade por melhorias e só favorece o toma lá, dá cá, conhecido na cidade fagueira desde sempre.