terça-feira, 5 de agosto de 2008

Progresso? Onde?

Ultimamente tenho me dedicado a escarafunchar o cenário eleitoral e me considero abismado com o tema do momento: o tal progresso em Esperantina. Já ouvi que estamos em pleno período de desenvolvimento. Ouvi também que o progresso voltará e outras bobagens, bastando para isso que nos conscientizemos (seja lá o que entendam pela palavra). Mas... o que é esse tal progresso? Não o conheço, não o vejo. O que é isso? Se já chegou, onde ele está? Numa rua calçada? Nas mídias que despejam abobrinhas e utopias? Ou se esconde atrás de elefantes brancos estrategicamente dispostos pela cidade?

Enquanto um grupo resiste com unhas e dentes na defesa de que estamos a bordo de um trem bala que nos conduzirá ao nirvana do desenvolvimento, outros afirmam que a redenção somente acontecerá em futuro próximo, tais quais messias insanos a prever as maravilhas do paraíso, somente acessível após o devido juízo final, no caso, as eleições. Embevecidos, rodeiam seus ídolos como os pirilampos em volta das lâmpadas maravilhosas, de luzes alucinantes e, mesmo sabendo que isso fatalmente os prejudicará/matará, entregam-se com avidez ao prazer momentâneo e indizível.

Vendo tais indivíduos a desenrolar planos mirabolantes e salvacionistas, fico ligeiramente emocionado com estes talentos locais. Se os tais se dedicassem à literatura de cordel ou ficção científica, teríamos alguns dos maiores escritores de Best-sellers do Brasil. Quantas mentes brilhantes, quanto talento perdido neste rincão.

Neste momento de súbito arrebatamento, o disfarçado e distante “orgulho danado de ser esperantinense” deve ser interpretado como um sentimento sádico ou altruísta?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Neo-amigos

Algo estranho no ar. Não ando três quarteirões sem que encontre um amigo. Teria eu me transformado no mais novo popstar deste mundaréu? Deveria acreditar que o momentâneo sucesso se deve a este vil espaço na net?

Não me recordo de ter tantos amigos assim, nem mesmo no período escolar. Lembro sim, e bem, de ter travado contato com alguns destes neo-amigos há aproximadamente dois anos. Será que eles se ausentaram da cidade neste curto período de tempo? Porque não os via desde então. Que será que deu neles? Agora surgem do nada e sem convite, como a praga dos potós. Nunca antes havia presenciado disputa por minha soturna e indigesta companhia!

Porém, antes de ascender aos píncaros da fama mundial na cidade, praticamente um BBB, eis que desperto e me plugo à realidade indecorosa: estamos em pleno período eleitoral!

- Aaahhhh! Logo agora que já me preparava para distribuir os primeiros autógrafos.

Olhando melhor à minha volta, vejo igualmente assediados outros plebeus de baixa estirpe. Todos agora são tratados como a cereja do bolo.

De repente descubro em um desconhecido um novo amigo de infância, tão próximo que ele se mostra. O que dizer diante de tantos apertos de mãos? E os constrangedores abraços então, falsos como notas de seis reais. Particularmente neste período do ano perdemos o anonimato e somos alçados à glória do estrelato chinfrim.

O mais intolerável nisso tudo é que não se pode nem mais entornar uma cerva sem que aquele chato com conversa mole e idéias bolorentas se convide para conversar. Isso sem mencionar aqueles filhos da profissional que confundem nossos ouvidos com um vaso e passam a despejar, a partir de seus possantes-que-o-papai-emprestou, aquelas paródias musicais tristemente modificadas para temas políticos, com a finalidade de hipnotizar os incautos e amealhar zumbis.

É preciso muito engov para agüentar nossos neo-amigos.