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Imagem: portalriolonga.com |
Sempre que ouvia o hino municipal, aquele trecho que diz:
...Salve, Esperantina...
Me perguntava: salvar de quê? Só agora entendo que não
é salvar de que, mas de quem. Após 98 anos de sucessivas administrações, umas
razoáveis, outras à espera do esquecimento, constato que o problema é um
completo distanciamento entre o que se espera e o que nos oferecem os governos.
Precisamos de escolas, constroem ginásios esportivos. Quando queremos ginásios,
vem os asfaltos ligando nada a lugar nenhum.
Se pede a reforma de um mercado, as mentes brilhantes nos brindam com
obras faraônicas inacabáveis. Pedem um estádio, fazem um festival que pode ter
qualquer outro nome, menos o adotado. E assim se passaram 98 anos...
Mas precisamos comemorar os avanços. Precisamos de ideias. Pânico
entre os aspones, cuja única ideia é gastar os proventos duramente conquistados
em períodos de campanhas.
Então vejamos...
- Vamos comemorar com um grande campeonato no estádio e... não,
pera... O estádio está em obras há décadas.
- Que tal aproveitar os talentos locais em um festival de teatro? Péssima ideia, o teatro
está desabando a olhos vistos.
- Vamos incentivar o esporte. Isso. Que tal um passeio de
bicicletas pelas ruas? Não dá, com o completo descumprimento das leis de
transito e a inoperância da coordenação de transito, seria uma desgraça.
- Que tal um luau no cartão postal da cidade, a cachoeira do
urubu? Não dá, os donos de lá vão reclamar.
- Vamos fazer um desfile cívico, com escolas e o pelotão
mirim? Não é boa ideia, vai que alguém resolve protestar novamente e será
necessário afastar todos os integrantes não cooptados ideologicamente.
Então está decidido: ano que vem será fantástico.