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Imagem: Arquivo do Blog. |
A cidade que aspira a ser influente, conhecida nacionalmente
pelo trânsito caótico que lembra o mercado egípcio colonial, resolveu se
modernizar e ao final de muita discussão, a solução mágica encontrada foi
municipalizar o trânsito. Ok, beleza.
Para não fugir à regra, as coisas foram feitas
atabalhoadamente. Primeiro veio o concurso para agente de trânsito, alguns anos
passados. Depois veio a convocação de um único agente, que logo foi acompanhado
pelos indefectíveis companheiros comissionados, mais uma coordenação sem
atuação e sem os demais aparelhos que constituiriam um departamento de trânsito
digno do nome. Uma pose pra foto aqui, uma blitz pra inglês ver ali, eis que no
ocaso a cidade se viu com apenas um agente com a hercúlea atribuição de
controlar o tráfego furioso, indisciplinado e mortal.
Passados mais alguns anos, nova oportunidade com mais
agentes concursados. Agora a coisa vai. Porém, no frigir dos ovos apenas um
permaneceu no cargo e veio a somar com o anterior, o ultimo moicano, já
existente. E tome expectativas. Como sempre, as promessas de praxe: blitz
educativas, sinalização das ruas, asfalto, ...
Mas o que vemos até o momento são dois pontos amarelos vagando
sem lenço e sem documentos, sem poder de autuação, sem veículo para se deslocar
a serviço, sem infraestrutura, sem... tudo.
Até quando continuaremos a brincar com o trânsito, enquanto
as ruas se enchem de cruzes? Estamos em uma cidade onde os condutores de veículos
estacionam seus possantes onde bem lhes convier; que trafegam em qualquer
sentido da rua, seja mão ou contramão sem que nada nem ninguém possa
interferir; onde motoqueiros treinam suas habilidades nas ruelas atrofiadas de veículos
estacionados em ambos os lados da via; onde ruas são interditadas por
particulares para fins privados; onde o mal exemplo é dado por quem deveria
coibir estas mazelas.
Pobres de nós, que necessitamos transitar a pé pelo canteiro
central da avenida, desviando das churrasqueiras ardentes; das cadeiras dos
bares, das motos estacionadas ou das que circulam pela área dos pedestres, bem
à vista dos olhos complacentes de todos... padecemos pelo desleixo na condução
do trânsito, pela má fé.
E tenho dito!