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Imagem: www.rioeduca.net |
Descobri-me popular, logo eu. Mas isso é coisa recente. Dirigia-me ao trabalho
no horário de sempre, itinerário de sempre, pessoas de sem... não, não desta
vez. Ao cruzar esquina encontrei um dito que ao me ver levantou a mão,
desesperado como um náufrago ao ver um navio. Inicialmente pensei que fosse com
qualquer outro transeunte, mas era comigo que o amigo se comunicava. Lembrou da
infância, dos tempos de escola, dos familiares... era quase uma agenda viva. Se
quisesse, ele poderia escrever minha biografia ali, no meio da rua. Cara –
pensei, como pude esquecer deste amigo tão importante por tanto tempo assim? Por
conta do tempo diminuto, me despedi e ele prometeu uma visita em minha casa. Cara
legal aquele. Gente fina.
Mais à frente outro amigo me aparece com iguais recordações.
Puxa vida, fiquei importante. Sou importante. Tanta gente lembrando de fatos pitorescos
da trajetória de vida e eu sequer sabia seus nomes. Sempre esqueço disso a cada
dois anos.
Eis que, saindo de um comércio nas proximidades, alguém passa
a gritar, me chamar pelo nome. Outro amigo, pensei. Mas esse não era tão amigo assim,
não fizera parte de minha infância, mas me conhecia mais que o google. Contou histórias
engraçadas e também se propôs a me visitar “qualquer hora dessas”. E assim foi
até que cheguei ao meu destino.
E desde então sempre que saio à rua me deparo com amigos. Tantos
que não lembro de ter estudado com tanta gente; de ter jogado peteca, triangulo
ou brincado de esconde-esconde com tanta gente assim. Preciso de remédio pra
memória.
Em tempo: há mais ou menos dois anos não tenho mais
facebook. Cansei daquilo. Sem contar os poucos amigos. Mas tenho certeza de que
se reativar minha conta hoje, terei um milhão de novos “amigos de infância”.