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Imagem: Aquivo do Blog. |
Se no passado as passeatas eram marcadas pelas animosidades
e intensa quantidade de cartazes, hoje o que se vê é apenas um cortejo fúnebre entremeado
por falas tímidas. Nem de longe lembra o fulgor das antigas passeatas, quando
lá vinham aqueles senhores com a faixa “Fora FMI”, “Abaixo a opressão, mais
arroz e mais feijão”, “queremos a reforma agrária já”, “abaixo a corrupção” e
outras utopias. Hoje a corrupção não é mais bandeira de luta, vai ver, já
acabou e junto com ela também se foram a famigerada bolsa de lona e o anel de
tucum, símbolos de uma era em que era cool
ser revoltadinho com o sistema-que-aí-está.
O feriado de agora, com suas comemorações são esquálida
lembrança de dias mais revolucionários, que geravam tensão na cidade, por
exemplo quando certa feita foi determinado que nas marchas os trabalhadores não
conduzissem mais as ferramentas de trabalho, para evitar possíveis tragédias. Podia
se ver no rosto das pessoas que elas eram realmente trabalhadoras e não personagens
criados para abocanhar nacos do erário.
De lembrança daqueles áureos tempos, nos resta agora aquele
painel pintado à revelia dos fiéis na igreja matriz. Sim, aquele painel grotesco
– guernica dos cocais - pode significar tudo, menos a união dos povos, pregada
pela igreja. Sim, o painel, que longe de unir, apenas serviu para segregar a
sociedade entre bons (trabalhadores) e maus (patrões e latifundiários),
baseados na mofética teologia da libertação, aquela, incentivada pelo frei que alternava
religião com revolução quando lhe convinha.
E quanto aos trabalhadores? Os de outrora se foram, os que
participam hoje do movimento aguardam o arrasta-pé e quem sabe, um espaçozinho
na lista de amenidades governamentais. E tenho dito!